quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Feliz ano Igual – parte I, por Therence Santiago



Sinceramente acho engraçado esse negócio de ano novo, o tempo passa e sempre as mesmas coisas acontecem. Sei que as pessoas precisam acreditar que sempre existe uma luz no fim do túnel (do contrario a vida seria insuportável), sei que é necessário acreditar em Deus (ou sei lá o que seja), pois, as pessoas precisam de tais apegos. No entanto penso que o ser humano é altamente criativo, tipo, cria a causa e o efeito, isso em uma ação de jogos de forças constantes e altamente renováveis. Segundo Foucault, somos os nossos discursos, os quais saem do nosso controle logo depois de proferidos, por tanto não temos controle nenhum sobre nós, quando achamos que controlamos nossas vontades e pensamentos e expressamos isso, é que estamos realmente descontrolados. O engraçado é que nada muda, não de maneira realmente significativa, digo isso pensando realmente na confecção existencial (é obvio que essa questão da existência pra uns é muito importante, Sartre que o diga, no entanto para alguns, isso é apenas um pequeno movimento no processo xadreizistico o qual vivemos, para outros tipo Foucault citado acima e Deleuze por exemplo, tal existência nem existe rsrsrs, pois, o homem morreu rsrs) o fato é que o mundo sempre é impulsionado por intenções. Pegando uma deixa de Shopenhauer, o mundo é formado por vontades e representações. Ai que está o problema, como se conduz as representações, se não se sabe a verdadeira composição das vontades. A questão cultural se apresenta como algo fundamental no processo da própria vida, coisas que acreditamos ou não, que gostamos ou não, que achamos certo ou errado, verdadeiro ou falso, sagrado ou profano, acaba formando nossas estruturas mentais, as quais se refletem em nossas ações em sociedade, todas essas coisas são moldadas através das formas culturais as quais somos concebidos.
Nesse passo, percebo o que realmente geram as atitudes mais radicais nas pessoas - os medos e as incertezas. Esses dois fatores impulsionam todos os raciocínios, crenças, paixões, recolhimentos entre outras coisas. Quanto mais estudo, e olha que estou engajado nisso rsrsrs, percebo que as pessoas estão cada vez mais perdidas, e a ironia disso tudo é pensar que que não, daí talvez a utópica idéia de que o ano novo não será igual ao ano que se passou - besteira, tudo diferentemente igual rsrs, por isso, desejo um feliz ano igual a todos rsrs.


"O tempo é um químico invisível, que dissolve, compõe, extrai e transforma todas as substâncias morais". (Machado de Assis)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Chuva cai, por Therence Santiago


Cai a chuva
A chuva cai
Na imensidão
Restrita da medida
Certa
Do que é improvável,
Espasmo da razão,
Noção exata
Da contramão,
Pensamento ao vento
(Therence Santiago)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Boca, por Therence Santiago


Boca
Boca que expressa / que fala / / que cala / que sente / que mente
Boca que exala / a mente / que pensa / quente / que embriaga
Boca que quer / que ri / que chora / soluça / que implora
Boca que engasga / que expulsa / a culpa / que esmaga
Boca que deseja / a outra boca / que toca / os lábios úmidos
Boca que mexe / movimento da lingua / afoita / louca
Boca incontida / no verso / escondida / entre a minha / boca timida

"A única linguagem verdadeira no mundo é o beijo"
(
Musset , Alfred de)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sensação que arrebenta, por Therence Santiago


Sentir ao cubo

Os olhos fitam o horizonte
Um perfume de você exala em meu corpo
A pele quer de volta o arrepio perdido
Os sons desencontram as bocas
As salivas não se misturam
A distância prende o desejo
Face a face com a barreira imaginaria
Os segredos se aproximam

Quero um pouco mais de emoção
A ação perfeita do simples beijo
Toque suave na sensação de bem estar
Quero um pedaço qualquer de você
Desenhado em um quadro de sonhos brancos

Quero poder olhar atento seus pés
Eles me mostram o caminho do sagrado/profano que me arrebenta
Quero sentir a pulsão descontrolada de seu sorriso
Beber a taça cheia de seu vinho
E embriagar-me de seu amor

"Há duas tragédias na vida: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, a outra a de os satisfazermos".
(Autor:
Wilde , Oscar)

"A cultura do espírito identificar-se-á com a cultura do desejo" .
(Dalí , Salvador)

"Aqueles que reprimem o desejo assim o fazem porque o seu desejo é fraco o suficiente para ser reprimido".
(
Blake , William)

U2
Desire
Composição: U2

Lover, I'm off the streets

I'm gonna go where the bright lights

And the big city meetWith a red guitar, on fire

Desire.
She's the candle burnin' in my roomYeah, I'm like the needle

The needle and spoon

Over the counter, with a shotgun

Pretty soon, everybody's got one

I'm in a fever, when I'm beside her

Desire Desire.
And the fever, gettin' higherDesireDesire.

(Burning, burning).
She's the dollars

She's my protectionYeah, she's the promiseIn the year of election.

Sister I can't let you go

Like a preacher stealin' hearts at a travellin' show

For love or money, money, money... ?And the fever, gettin' higher.

Desire.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Expansão em loco



• FOUCAULT: "Não é tão simples assim - alguém fazer o que gosta... e espero morrer de uma overdose... de um prazer de qualquer tipo. Porque eu acho que é realmente difícil e sempre tive a sensação de que não sinto O prazer, o prazer completo total e, para mim, ele está relacionado com a morte."

ENTREVISTADOR:"Por que você diz isso?"

FOUCAULT: "Porque penso que o tipo de prazer que considero O prazer real seria tão profundo, tão intenso, tão irresistível que eu não sobreviveria a ele. Morreria." ๋•



Poesia do Amor em Si menor, por Therence Santiago

O verso tinge o pedaço de pano
Simples desejo de ver o desconhecido
suave doce amigo é o vinho
na taça de cristal frágil os sonhos condensam-se
misturam estações
brindam os sentidos

Em tempo: a palavra da vez é expansão, uma sensação intensa que invade e arrebenta, é a emoção mais suave e tensa, é a pele se arrepiando, o sangue fervendo, a imaginação gritando. Hoje as possibilidades presentes no presente se confeccionam-na mente de maneira permissiva, pervertida, ofensiva, angelicalmente profana.






quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ensaio aberto da sensação, por Therence Santiago




Estou em uma fase de escrever de maneira simples sobre coisas simples. Desde que acabei o mestrado, tenho essa sensação de leveza, de serenidade, não que meu momento seja sereno, pelo contrario, sou professor, segundo pesquisadores uma das profissões mais estressantes, no entanto, tento balancear meus momentos cotidianos de nervoso, com doses descomedidas de poesia. Essa sim me deixa bem, penso que na realidade a poesia é um grande antídoto contra as contradições da pós – modernidade, a área acadêmica ainda se prende em provar verdades, o chamado senso comum despreza a reflexão mais compenetrada, tanto um lado como o outro faz isso o tempo todo, todo o tempo. Penso que isso é uma grande bobagem, prefiro o meio, prefiro o oposto, o avesso, o rebelde, o que realmente possui gosto. Sim, isso é uma outra coisa que estou dando muita atenção ultimamente, o gosto. É impressionante como simples coisas cotidianas podem se transformar em eternas. O tempo pode ser nosso controlador, como pode ser nosso aliado, tudo depende da percepção que damos ao momento, ao momento de contemplar um dia com uma temperatura agradável, um olhar tímido provocante, uma risada espontânea, uma mordida no chocolate, um beijo demorado no bico do seio, um gole refrescante de uma água bem gelada contrastando com o calor, em fim, a capacidade que temos de sentir, e aqui penso isso no sentido de potencializar nossa existência humana, é justamente a possibilidade que temos de ‘ser humano’, que me fascina, a liberdade que temos de beijar com atenção, brigar com moderação, amar com intensidade, chorar com razão, tocar com delicadeza, prestar atenção, etc., que esculpi realmente as tramas fundantes da nossa vida, acredito que para uqe isso fique mais claro, só é necessário um pouco mais de poesia nos espelhos das pessoas.

Beleza

Gosto de gente bonita,
Bonita de rosto, de gosto e
de alma.
Gosto de flor, sabor, amor,
Em pequenas medidas gosto até de raiva.

Gosto de chocolate,
De chá mate,
De pernas entrelaçadas
De sol forte.

Gosto de vento,
De toque suave,
De vinho tinto,
De pele em atrito com pele.

Gosto de risadas,
De tapas na cara,
De versos afoitos,
De cabelos soltos.

Gosto do que é bom,
do que é som,
da densidade consistente
do bombom.

Em fim, gosto de gostar.
(Therence Santiago)





quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ensaio sobre a In - sensibilidade, por Therence Santiago


Na cidade louca os carros alucinados correm, andam na estrada buscando uma chegada. Perfilam na paisagem olhares confusos. No relógio do tempo,bastam às horas que sobraram. Na mente uma idéia fixa de diversão, no espelho os olhos contemplam a imperfeição. Todo tempo tem um tempo de duração. Estamos na era Pós, Lyotard define a estética avessa à especificidade, contrária a insensatez. O que diria Rousseau se estivesse nessa cidade, talvez ele se perguntaria; O que corrompe as pessoas? O desejo, a moral, a sanidade? Existe um hiato nos paladares, uma ligeira acentuada falta de percepção. O gosto já não está sendo aproveitado. Hume nessas horas atuais, cético brindaria à imensidão de não entendimentos, sem tormento, se quer, sem arrependimento. Não existe cogito suficiente para implantar a natureza humana novamente. Descartes até que era bem intencionado, no entanto, fudeu com o imaginário. Retomemos então, o vácuo xerocado da era iluminista da razão instrumental. Uma filosofia paradoxal na babel louca do sentir. O sabor da vez é de um bolo de chocolate feito de sal. Hoje o futuro é um passado presente que se deleita em momentos dormentes. Estamos sentados à mesa de taças vazias na mão, esperando um pouco de inspiração.....que a nossa vã filosofia perca toda a sua razão.....

Elemento Vital

Passa o tempo e o tempo passa / Escorre a gota de vinho na taça / Paixão paranóica que invade os sentidos / É a idéia mais insana de Dionísio / Na cama o lençol me chama / Queima a pele / esculpi a trama / o desejo mais louco se esconde no beijo / No ritmo acelerando dos tempos atuais / É hora de quebrar com o certo e o errado / Penduremos os pudores nos reluzentes castiçais / Orgias sem fim das possibilidades anormais / É só um pouco de verdade que se busca / Uma Dês – Construção / Sem roupas / Só bocas / O nú profano e nada mais. (Therence Santiago)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Poesia e Rock and Roll, por Therence Santiago

Foto by Rogério Felício


Ontem fui assistir a apresentação da minha querida fina flor, desde pequeno sempre gostei de rock and roll, com o passar do tempo fui arrebatado de maneira avassaladora pela poesia. No show de Mônica Montone no Studio SP, pude sentir intensamente essas duas coisas se condensando de maneira fluente e potente. Mônica Montone e Banda fizeram uma apresentação belíssima, como sempre a diva das palavras deu no sentido literal da palavra um ‘show de interpretação’. Percebo que é algo fantástico que vi ali, digo isso, pois, pude sentir verdade e intensidade no que foi apresentado. Penso que poesia é isso, uma maneira simples e intensa de se esculpir a vida, esculpir em pedaços inteiros de pequenas grandes palavras. Ultimamente ando defendendo uma tese, na qual consiste em uma simples idéia atrelada a exercícios contínuos e enlouquecidos de incentivo à percepção e a sensibilidade. Quando ontem presenciei tal espetáculo, senti e percebi intensamente, percebi o quão é belo ser poeta, pois, o poeta gosta do que é belo. De uns tempos para cá, tento me despir das teias da insensibilidade racional da área acadêmica, percebo que para isso preciso de doses cavalares de inspiração, provocação, delírio, sensualidade e inteligência, penso que esses elementos são fundamentais em se tratando da verdadeira arte, da plena liberdade. Hoje tenho uma vontade dês-controlada e imensa em relação a expansão, preciso de arte, plena, expansiva, agressiva, Dionisiaca, a flor da pele, o show de Mônica Montone me alimentou de tudo isso, muito bom!!




"O poeta faz-se vidente através de um longo, imenso e sensato desregramento de todos os sentidos".
(Rimbaud , Arthur)


sexta-feira, 31 de julho de 2009

Delírio, por Therence Santiago


segunda-feira, 11 de maio de 2009

A complexitude das coisas mais simples, por Therence Santiago

Outro dia resolvi prestar detalhadamente atenção em uma deliciosa bomba de chocolate que comia em uma ‘sofisticada’ padaria (que se auto - intitula centro gastronômico), a cada mordida percebia o quanto é maravilhoso as coisas simples da vida. Um simples doce pode ganhar uma dimensão absurdamente fantástica a um paladar e uma mente mais atenta. Um simples recheio trufado pode ser um instrumento momentâneo mais eficiente em se tratando de uma aproximação do infinito. Estou falando aqui de percepção, de expansão, de prazer, de poesia. Gratos são os momentos aparentemente simples que nos possibilitam explorar um pouquinho à capacidade sublime que temos de sentir. Não estou falando aqui de um mero doce de chocolate, estou falando aqui de essência, de desejo, de permissão, de estética, estou falando aqui de magia. Estou falando das imensas possibilidades que temos de exercitarmos realmente a nossa quase sempre esquecida inspiração.
o
Morango / Tango - Therence Santiago

Morango / Tango
Nos lábios / a pele da fruta
Desnuda / Molhada
Perna suada/Arrepio / frio
Na barriga / os pelos
Beijos / Seios
Anseios da aurora /
Hora Perdida / vadia
Na mesa / Realeza
O corpo aquecido / Gemido
Fragmento do inteiro /
PonteiroPassa / Corre /
Escorre a libido / verso saído
/Bate afinidade / chocolate
Sensação / ação
Do Tango / Morango
o

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Estética da Existência parte III, por Therence Santiago

Ideologia
Cazuza
Composição: Cazuza/Roberto Frejat

Meu partido

É um coração partido
E as ilusõesEstão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato
Que eu nem acredito
Ah! eu nem acredito...
Que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Frequenta agora
As festas do "Grand Monde"...
Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma prá viver
Ideologia!
Eu quero uma prá viver...
O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs
Não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar
A conta do analista
Prá nunca mais
Ter que saber
Quem eu sou
Ah! saber quem eu sou..
Pois aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Agora assiste a tudo
Em cima do muroEm cima do muro...

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Estou em fase de conflitos - entre a quimera da essência e o paradoxo da existência, um dilema cruel e contemporâneo. Plagiando uma idéia de Mafessoli de que estamos em tempos de Dionísio, confesso que sinto um pouco de falta da época de Prometeu. Brindemos a insensibilidade da razão, artefato minucioso das mentes acostumadas à falta de inspiração. Deus salve a Rainha!!!!!!

o



sexta-feira, 13 de março de 2009

Elogio a Liberdade, por Therence Santiago

foto by Mari Mari

Existe um tempo em nossas vidas em que tudo parece ser possivel, sentimos as coisas itensamente, desde as pequenas coisas como as grandes coisas. Na realidade, as coisas possuem a proporção que damos a elas. Penso que devemos trabalhar com mais atenção os processos cotidianos atrelados ao sentir. Sentir de verdade, sentir a vontade, sentir por inteiro. Penso que a razão maior da vida se posta justamente nos esplendorosos detalhes que formam as coisas, o cheiro, o gosto, as formas, etc. Tais intenções não devem ser compostas por ações superficiais, mais sim existenciais, existencial no sentido literal da palavra. No sentido filosófico da palavra. Ser livre não é simplesmente uma vontade é um estado de esprito, uma condição de vida.

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A liberdade me ensinou e muito bem que nela se concentra todo o prazer possível.

(Margarida, rainha de Navarra)

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obs: em tempo - sempre em expansão!!!
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Entre o Controle e o Dês-controle, por Therence Santiago


É interessante como nossa escrita acaba sendo influenciada pelo o que estamos lendo no momento. Sendo assim, deixo pequenos registros de insites que tive lendo duas fantásticas obras das ciências humanas (Nobert Elias e o seu Processo Civilizador, bem, como Huizinga e seu Homo Ludens). O que me chamou atenção em ambos os livros, foi que os dois em determinado momento se ativeram em questões atreladas ao significado das palavras. É interessantíssimo como determinadas palavras existem ou não se tratando das diversas culturas, e como os conceitos são entendidos de maneira diferente em relação à linguagem - escrita pertinente a cada região. Elias em determinado momento nos fala de intensos controles de emoções que as diversas civilizações infligem nas pessoas em sociedade, Huizinga defende que tudo é um ‘grande jogo’. Pensando nessas duas idéias conseguimos relacioná-las a um grande modelo existente hoje, modelo inacabado e de certa forma ‘civilizado’ no sentido anestésico da palavra, modelo que vem sendo esculpido em um grande ‘jogo’ de relações e interpretações sociais. Desde muito tempo atrás como bem nos mostra Elias, tentam controlar nossas emoções, tentam controlar nossos sonhos, desejos e vontades, tudo em pró a normas e regras que se enquadrem no processo civilizatório da modernidade, é fato que tais esforços a aceites por parte de alguns indivíduos em sociedade se apresentam como antíteses do próprio conceito de moderno, mas em fim, fazer o que se ainda às máquinas e os mecanismos de ‘controles de emoções ainda infestam nosso meio’, penso que uma possível saída ainda seja doses cavalares de antídotos poéticos a esse controle, doses intensas e dês-controladas de emoções, das mais intensas e significantes as mais fúteis e ligeiras, um tsunami de sensações e sentires, instrumentos que realmente libertem nossas mentes e corações desse mundo rápido e estranho em que vivemos. Creio que a poesia e o sexo nesse passo nos ajudam plenamente ruma à permissão.
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Pedaço delicado de quimera ardente
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Pedaço delicado de quimera ardente
Em um momento o improvável indecente
Atiça a boca salivada dormente
Dirijo meu carro na contramão
Direção perigosa que me seduz
Hoje a noite os anjos dançam em absinto e gelo
Perfilam desejos profanos no anseio
Anseio de conhecer o proibido
As pernas entrelaçadas
A simetria descompassada
No verso vadio
Letra que da sentido e forma ao sentido
A pulsão mais presente arrebenta o medo freqüente
O suor e os gemidos saídos
Alimentam o sagrado instante
Regado a arrepios e libidos
É disso que estou falando
Poesia louca e enlouquecida amando
O pedaço delicado de quimera ardente


Therence Santiago

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domingo, 30 de novembro de 2008

Beijo, por Therence Santiago


Existe um tempo em que tudo pode parar, os segredos íntimos nesse parodoxo infernal sempre se multiplicam, dão o tom do sabor do morango na língua, decisão que invade a inocência, é uma espécie de demência controlada, algo afrodisíaco. Espaço ideal para os espasmos sensoriais cessarem por um instante. Estou falando de delicadas mordidas no pescoço, estou falando de sangue lentamente fervendo e escorrendo pela pele arrepiada, estou pensando emos bicos de seios afoitos e insinuantes, exalando jasmim. Pequenos sonhos escondidos em quimeras ardentes. Hoje é tempo de intensidade, de insanidade, de dês-caso com a razão, flerte mortal, euforia. O prazer mais intenso tem som de morte, sorte dos olhos que ainda enxergam, fitam movimentos ritmados de corpos simétricos encaixados. Pandora nunca foi mais a mesma, depois do toque, o paraíso lhe foi apresentado. Afrodite nesse instante experimentou o fruto resultado da ‘semente’ do mal, o mundo normal parou por um segundo, tudo apareceu dês-velado, permissivo, fetiches mais absurdos ficaram visíveis, dor e amor sempre formaram a combinação perfeita da ironia. O sorriso perfeito esconde o hiato aberto na liga que da sentido ao sentir, poesia vadia, letra prostituída da forma mais absurda da sensatez adquirida, voltemos aos tempos dos gregos e romanos, a libido e o grito sufocados saem arrebatadoramente no gemido estridente, resultado dormente da doce mordida do Vampiro. Troca de fluidos descompassados, pulsão.
o
Sweet Dreams, by Marlyn Maison

(Doce Sonhos)
o
Doces sonhos produzem isso
Quem sou eu pra desacreditar?
Viajando o mundo e os sete mares
Todos estão procurando por algo
Alguns deles querem te usar
Alguns deles querem ser usados por você
Alguns deles querem abusar de você
Alguns deles querem ser abusados por você
Doces sonhos produzem isso
Quem sou eu pra desacreditar?
Viajando o mundo e os sete mares
Todos estão procurando por algo
Alguns deles querem te usar
Alguns deles querem ser usados por você
Alguns deles querem abusar de você
Alguns deles querem ser abusados por você
o
Em tempo: essa versão do Marlyn Maison é perfeita para retratar o tempo Pós que vivemos hoje.
o

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Xerox ilegível de mim mesmo, por Therence Santiago

Existe um tempo em minha mente, algo guardado em papeis de sonhos. Gostos de lindas frutas vermelhas e perfeitas que experimentava. Sinto falta da minha infância e adolescência. Naquela época tinha a sensação de que tudo era possível na minha vida. Meus anseios eram sufocados pelas futuras imagens de felicidade. Lembro-me muito de algumas sensações intensas que sentia. As cores do mundo eram mais fortes, reluzentes, permissivas. Os diálogos eram mais fáceis de serem compreendidos, meu sorriso era mais contagiante, eu acho. Lembro-me de como The Doors fazia sentido para mim. Jim e seus enlouquecidos gritos confeccionavam a poesia que regia minha imaginação, suas lindas letras alimentavam minhas fantasias. A irresponsabilidade que me invadia me tornava mais perceptivo, sei lá, mais atento. Hoje me esforço para não ser uma Xerox ilegível de mim mesmo, procuro doar-me totalmente, e percebo que não atinjo meu objetivo, sinto que na tentativa de ser ‘perfeito’ fracasso, acabo sendo um esboço qualquer, inacabado, incompreendido. Ando tão a flor da pele que acho que vou morrer! Tecnicamente minha vida está tomando rumos mais sólidos, estabilizo-me profissionalmente cada dia que passa, gradativamente em ‘progressão’. Emocionalmente estou aos cacos. Pegando uma idéia de Marx, muito bem metaforizada por Marshall Berman “tudo que é sólido se desmancha no ar”, estou assim, sólido e maciço como um frágil caniço, me faço e me despedaço como um simples estalo de um rápido e intenso beijo. Se me perguntarem hoje quem sou eu, não sei se conseguiria responder. Acho que responderia que hoje sou uma pessoa muito cansada, em certas medidas perdida, em pequenas / grandes escalas entristecida, sei lá, talvez um personagem bem problemático de algum texto de Dostoieviski. Talvez uma tentativa de ser algo, um quadro cubista harmonioso de Mondrian, um devaneio sóbrio de Nietzsche, um sorriso metálico de Foucault, ou simplesmente, um grande imbecil.
o
Wonderwall / Oasis
Composição: Noel Gallhagher
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Protetora
Hoje será o dia
Que eles vão jogar tudo de volta em você
Por enquanto você já deveria, de algum modo,
Ter percebido o que deve fazer
Não acredito que ninguém
Sinta o mesmo que eu sinto por você agora
Andam dizendo por aí
Que o fogo no seu coração apagou
Tenho certeza que você já ouviu tudo isso antes
Mas você nunca tinha uma dúvida
Não acredito que ninguém
Sinta o mesmo que eu sinto por você agora
E todas as estradas que temos que percorrer são tortuosas
E todas as luzes que nos levam até lá nos cegam
Existem muitas coisas que eu
Gostaria de te dizer
Mas não sei como
Porque talvez
Você vai ser a única que me salva
E além do mais
Você é minha protetora
Hoje seria o dia
Mas eles nunca vão jogar aquilo em você
Por enquanto você já deveria, de algum modo
Ter percebido o que você não deve fazer
Não acredito que ninguém
Sinta o mesmo que eu sinto
Por você agora
Todas as estradas que levam a você até lá são tortuosas
Todas as luzes que iluminam o caminho nos cegam
Existem muitas coisas que eu gostaria de te dizer
Mas não sei como
Eu, talvez, disse
Que você vai ser aquela que me salva
E além do mais
Você é minha protetora
Eu, talvez, disse
Que você vai ser aquela que me salva
E além do maisVocê é minha protetora
Eu, talvez, disse
Que você vai ser aquela que me salva
Que você vai ser aquela que me salva
Que você vai ser aquela que me salva
o

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Caixinha de memórias, por Therence Santiago e Vanessa Gallinari


Temos dentro de nós a possibilidade de armazenarmos as nossas memórias de duas maneiras, a chamada memória de curto prazo e a memória de longo prazo. Lendo um dos textos de uma aluna, me sensibilizei se tratando dessa temática. No texto da referente aluna, é abordado como nossas lembranças se atrelam as cores, gostos, texturas, sons, sorrisos, e outras coisas ditas por todos como ‘secundarias’, que, no entanto, nos vêem na mente quase que de imediato, tamanho seus significados. Muitas vezes conseguimos lembrar mais dos detalhes de algum acontecimento do que realmente a cerne principal do mesmo. Hoje a imediaticidade dos tempos pós-modernos, aceleram nossas horas, minutos, segundos. A questão é; quanto do nosso tempo, conseguimos realmente sentir as coisas ao nosso redor? Quando realmente paramos para sentir o vento no rosto, a temperatura da água quente ou fria tocando nossa pele, lábios afoitos tocando nossos lábios afoitos? Quando paramos para exercitar pluralmente nossos sentidos e assim fabricar nossas intensas memórias?

o
Plagiando o texto da minha aluna predileta do 3° B - Vanessa Gallinari “Num momento infantil e até mesmo tolo, recorri à uma opção da infância. Já ouviram falar de "caixinha de lembranças"? Pode ser um baú, uma caixa de sapatos, qualquer coisa. Nela, coloca-se tudo. Desde um papel de bala, que foi dada por alguém especial, desde uma folha, que caiu de uma arvore próxima, em meio de brincadeiras depois da aula. Ingressos de cinema, de shows, entradas de estádios, e principalmente fotos. Cartas, e recadinhos nos cantos das folhas dos cadernos. Um pedido mudo à você mesmo, para que se lembre sempre de alguma época da sua vida. E esses dias, depois de olhar uma dessas caixinhas, me foi possível ver que, com 17 anos, eu já esqueci muita coisa. Coisas preciosas que na época me eram apenas cotidiano e rotina”.

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Estamos em fases de tornar sempre o mais imprevisível possível nossa rotina, o mais dês-organizado possível o nosso cotidiano, estamos em tempos de sensibilidade diluída e condensada nas tramas fluentes do ritmo das nossas vidas. Estamos em fases de cultivar flores, em fases a flor da pele.

domingo, 19 de outubro de 2008

Puro Êxtase parte I, por Therence Santiago




Sábado fui ao show do Frejat no Via Funchal, lindo show! O velho e bom rock and roll - tocado com simplicidade, intensidade e principalmente com emoção. Emocionei-me quase que durante o show inteiro, as músicas tocadas são lindas, literalmente, lindas. Penso que a boa música na verdade deve apresentar verdades, simplicidade, dialética, paixão. Todos esses elementos estiveram presentes ontem, bem como uma comunicação perfeita entre Frejat e o público, logo se percebe por que o cara faz sucesso há 27 anos.Suas músicas falam de cotidiano, ou seja, de coisas que acontecem muitas vezes sem que as pessoas percebam. As letras conseguiram criar imagens em minha cabeça de situações que vivemos o tempo todo, todo o tempo. As letras cantadas por uma platéia extasiada com as belas canções falavam de amor, não de uma forma superficial, ou ligeira, mas sim, de maneira visceral, de maneira permissiva, conflitante, ‘exagerada’ rs.Pensei várias vezes em como a vida é magnífica, penso que os inúmeros contratempos são necessários, pois, sem eles não teríamos o que contar e cantar. Como sentiríamos intensamente se tudo fosse perfeito? Como trabalharíamos nossa sinestesia se não sentíssemos os extremos e os contrastes?Tenho uma coisa em minha mente nos últimos tempos, quero sentir tudo ao mesmo tempo, sentir em sua total potencialidade e possibilidade. Dostoieviski dizia que o seu grande projeto de vida era enlouquecer, o meu grande projeto de vida é sentir, enlouquecer de sentir rsrsr, ouvindo e vendo ontem Frejat, alimentei-me um pouco nesse ‘sentido’, muito bom!!!!!


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Eu não quero brigar mais não(Frejat)



Eu amo o cheiro do seu cabelo,Eu amo o nosso amor
Assim sem dor-de-cotovelo.
Vamos pra bem longe daqui,
O vira-lata e a gata
Meu bem, pode levar o novelo.
o
O nosso amor não é só
De pele e de pêlo,
Se quiser ter um neném
Tudo bem, vamos tê-lo.
O nosso amor Vai da água pro vinho,
Às vezes é feito baixinho
Às vezes acorda o vizinho
Penso em você e o meu Coração se aquece,
Penso em nós dois e as
Peripécias da espécie
o
Esquece a nossa última briga
Lembra o primeiro beijo
E ouça essa cantiga
o
Eu não quero brigar mais não
Eu quero você toda pra mim
Vou começar pedindo a tua mão
Você é aquela que o meu coração habita
Única e favorita,
Estrela da minha vida e da minha escrita
Eu vivo sorrindo de orelha à orelha
Você com a pele bonita
Que fica sempre vermelha,
Quando eu te amo,De forma infinita.
Somos Bambam e Pedrita
o
Eu não quero brigar mais não
Eu quero você toda pra mim
Vou começar pedindo a tua mão
Eu quero uma mulher normal do povo,
Não quero uma mulher global de novo
Quero uma mulher que me ame
no Natal e no Ano Novo
Amor do caviar, do pão com ovo
Namoro num fusquinha ou num porto


o
obs: em tempo, estamos em fase de sensações !!!!!

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A Estética da Existência parte II, por Therence Santiago





Hoje completei 30 anos de idade, desde pequeno nunca consegui projetar-me muito se tratando de e do futuro, não que eu não pense no futuro, é que sempre fui apaixonado pelo momentâneo. Não no sentido fútil e imediatista da palavra, mas no sentido intenso e inesperado do presente. Percebo hoje, no entanto, que não sou mais um menino, (ou sou ainda menino demais rsrs), sinto certa pressa, certa urgência, sei lá, sinto vontade de sentir cada vez mais, acho que isso se dá talvez, porque as palavras nunca me deixam.
Lembro-me certa vez de uma entrevista do Foucault na qual ele disse que lhe assustava o prazer total, ele achava que quando conseguisse sentir o prazer em toda sua potencialidade e plenitude, ele não agüentaria e morreria. Longe de mim morrer agora rsrsrsrs, mas com toda certeza percebo que desde pequeno procuro o prazer total, procuro algo que nunca soube e ainda não sei o que é, mas procuro. Sou assim, fazer o que?
Ando ultimamente prestando muito atenção em tudo, tento aproveitar o máximo certas cores, certos cheiros, certos sabores, certos sons, tento me policiar o tempo todo para que minha vida profissional não atrapalhe meu lado sensitivo (e olha que ta foda!!!), tento fazer com que o tempo nesses tempos pós-modernos como diria Mafessoli, não me sufoque. Nado constantemente contra a maré da normalidade, às vezes me canso, as vezes me irrito, quase sempre me aborreço.
Logo logo me torno ‘mestre’, não sei muito bem o que isso significa, talvez perda de tempo, talvez novos horizontes, talvez um status quo sem importância, talvez um pouco de cada coisa, não sei, só sei que um ciclo está se acabando, e espero que o próximo seja menos stressante e mais inspirador. Espero!!
Temo em começar a projetar meu futuro anestesiadamente e sem poesia alguma, em achar-me cansado e ‘adulto’ de mais rsrsrs. Por precaução, vou começar a injetar em mim pequenas doses constantes de Neruda, Rimbaud, Proust, Dostoieviski, Foucault, Cazuza, Florbela Espanca, entre outras almas intensas, a idéia é potencializar meu tempo presente, torná-lo eternamente momentâneo!!


o

“Será que eu sou medieval?

Baby, eu me acho um cara tão atual

Na moda da nova Idade Média

Na mídia da novidade média”

(Cazuza – Medieval)


o

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Mania em 3D, por Therence Santiago


Compulsão

Afrodite Dança, mostra-se enlouquecida
Bebe vinho tinto, se alimenta de poesia.
Existe um verso permissivo,
Ele dá forma e velocidade, ao ritmo,
É um delírio deliberado e incontido,
desejo carnal
compulsivo,
compulsivo,
compulsivo.
o

Niña morena y ágil, el sol que hace las frutas (Pablo Neruda)


Niña morena y ágil, el sol que hace las frutas,
el que cuaja los trigos, el que tuerce las algas,
hizo tu cuerpo alegre, tus luminosos ojos
y tu boca que tiene la sonrisa del agua.
Un sol negro y ansioso se te arrolla en las hebras
de la negra melena, cuando estiras los brazos.
Tú juegas con el sol como con un estero
y él te deja en los ojos dos oscuros remansos.
Niña morena y ágil, nada hacia ti me acerca.
Todo de ti me aleja, como del mediodía.
Eres la delirante juventud de la abeja,
la embriaguez de la ola, la fuerza de la espiga.
Mi corazón sombrío te busca, sin embargo,
y amo tu cuerpo alegre, tu voz suelta y delgada.
Mariposa morena dulce y definitiva,
como el trigal y el sol, la amapola y el agua.
o

sábado, 20 de setembro de 2008

Tróia em Chamas, por Therence Santiago


A flor da pele
Sensações devassas
Purificam a razão
Emoção barata
Nos olhos o delírio saído
Rebelde desejo vadio
Suor escorrendo pelos pêlos arrepiados
Desejo
Helena e Páris alucinados
Menelau morto por Heitor
Amor
Guerra continua entre a razão e a loucura
Doçura
Chocolate quente
Na mente
A idéia de permissão
Paixão.
o
"As únicas pessoas que me agradam são as que estão loucas: loucas por viver, loucas por falar, loucas por salvarem-se"
( Kerouac , Jack )
o

sábado, 2 de agosto de 2008

Contradições da Modernidade parte I, por Therence Santiago


Às vezes gosto de observar atentamente a cidade, sua pressa, sua amargura, sua confusão, sua beleza, sua complexidade, em fim, suas dinâmicas não lineares. As pessoas sempre estão indo ou voltando. Existe uma aparente seriedade nos semblantes, feições melancólicas, irritadas, decepcionadas. Tudo isso me faz pensar na questão do tempo.
Como será que realmente medimos o tempo? Brecht enfatiza constantemente a idéia sublime de não deixar-mos que as pessoas nos controlem, ai pergunto, e o tempo, será que ele não nos controla? Em quais esferas construímos as pontes que ligam a terra da liberdade com o vácuo da alienação. Não quero aqui me reportar à questão da alienação simplesmente no sentido político da palavra, mas sim, no sentido atrelado as possibilidades de percepção. Quando será que as pessoas deixam de perceber a potencialidade de um simples e intenso sabor de um pedaço de bolo de chocolate, ou a sensação divina do contato da pele em um dia de calor com a água gelada saída de uma mangueira qualquer lavando qualquer coisa. Porque será que em muitos casos as pessoas deixam de perceber a importância de experimentar uma manga e sujar todo o rosto com ela, ou encontrar um amigo de infância que não era visto há muito tempo e sentir aquela eterna sensação de proximidade. Entendo que na realidade, é o carinho e atenção que damos ao tempo, o reflexo da relação do mesmo conosco.
É justamente nessa miscelânea de sensações eclodindo simultaneamente no cenário dialético do contemporâneo que percebo as contradições infindas da nossa desatualizada modernidade. Modernidade à qual quase sempre nos mostra o modelo contrário do que realmente seria ‘ser’ moderno.
0
"As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injectado o veneno do medo... do medo da mudança"
Octavio Paz
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Construção
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque

Amou daquela vez /Como se fosse a última/Beijou sua mulher/Como se fosse a última/E cada filho seu/Como se fosse o único/E atravessou a rua/Com seu passo tímido/Subiu a construção/Como se fosse máquina/Ergueu no patamar/Quatro paredes sólidas/Tijolo com tijolo/Num desenho mágico/Seus olhos embotados/De cimento e lágrima/Sentou prá descansar/Como se fosse sábado/Comeu feijão com arroz/Como se fosse um príncipe/Bebeu e soluçou/Como se fosse um náufrago/Dançou e gargalhou/Como se ouvisse música/E tropeçou no céu/Como se fosse um bêbado/E flutuou no ar/Como se fosse um pássaro/E se acabou no chão/Feito um pacote flácido/Agonizou no meio/Do passeio público/Morreu na contramão/Atrapalhando o tráfego...
o

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Entre o Real e o Medo, por Therence Santiago

O que é Real?


Foucault certa vez em um de seus textos defendeu a idéia de que temos o gosto antes mesmo de sabermos o que é o gosto. De que criamos os preconceitos antes mesmos de sabermos os conceitos. Ultimamente ando vivendo um momento instigante em minha vida. Penso sobre tudo. Observo quase tudo que é possível se tratando do que meus olhos podem alcançar. Em minhas reflexões sempre aparece à idéia do que as pessoas têm como real, como ideal, como certo e errado. Penso que sem sombras de dúvidas, pegando uma idéia de Nietzsche, a moral cristã moldou as mentes do ocidente. A eterna briga entre o bem e o mal, sempre está inserida na cabeça das pessoas.
Confesso que a historiografia e a filosofia não me responderam todas as perguntas que sempre me acompanharam, mais, me ajudaram a identificar alguns movimentos iniciais das dinâmicas conceituais e atitudinais que as pessoas desenvolveram e desenvolvem em sociedade. O presente só pode ser entendido se o passado for questionado. As sensações só podem ser mediadas se forem sentidas.
Essa é uma palavra que gosto muito, sentir. Quando permitidas, as sensações se desvelam como pequenos momentos de eternidade. Essa, no entanto, é a questão, até que ponto as pessoas sentem de verdade? Até que ponto a mente é livre o suficiente para experimentar? Até que ponto, as pessoas conseguem se despir de peles sobrepostas pelas incontidas barreiras morais da história?
Resolvi escrever essas letras, pois, me lembrei de um dos filmes que mais gosto, Matrix. Independente de gostos cinematográficos, tal filme, traz uma síntese do momento pós que vivemos, discussões atreladas ao real e ao virtual permeiam toda a trama. Tal filme sempre me faz questionar uma série de coisas; será que muitas pessoas não vivem hoje dentro de uma Matrix? Será que realmente algumas mentes não estão aprisionadas? Será que algumas mentes não preferem a anestesia da virtualidade da moral e dos bons costumes, para esconderem-se da potencialidade da existência humana?
São questionamentos que todos devemos fazer, pois, é sempre necessário segundo uma idéia sublime de Rimbaud, buscar um pouco de sol mergulhando no mar. Defendo que por mais que lutemos contra isso, é a capacidade de sentir que nos aproxima da ‘espiritualidade’.

o
o

“A imposição de padrões pelas sociedades aos seus extremamente diversificados indivíduos tem variado muito em diferentes períodos históricos e diferentes níveis de cultura. Nas culturas mais primitivas, onde as sociedades eram pequenas e ligadas a tradições muito estreitas, a pressão para o conformismo era naturalmente muito intensa. Em toda a sociedade há sempre um impulso para a conformidade, imposto de fora pela lei e pela tradição, e que os indivíduos impõem sobre si mesmos, tentando imitar o que a sociedade considera o tipo ideal. A esse respeito, recomendo um livro muito importante do filósofo francês Jules de Gaultier, publicado há cerca de cinquenta anos, chamado "Bovarismo". O nome vem da heroína do romance de Gustave Flaubert, Madame Bovary, no qual essa jovem mulher infeliz sempre tentava ser o que não era. Gaultier generaliza isso e diz que todos temos tendência a tentar ser o que não somos, a querer ser o que a sociedade na qual crescemos julga desejável. Ele diz que todo mundo tem um "ângulo bovarístico", e que o de algumas pessoas é bastante estreito; aquilo que elas são intrinsecamente, pela hereditariedade, não difere muito do que tentam fazer de si mesmas pela imitação. Mas algumas pessoas têm ângulos bovarísticos de noventa graus, outras até de cento e oitenta, e tentam ser exatamente o oposto daquilo que são por natureza. Os resultados são em geral desastrosos”.
(Aldous Huxley, in 'A Situação Humana')
o

sexta-feira, 11 de julho de 2008

MOTIVOS, por Therence Santiago


Pela arte me recrio
Pela sorte / ando em sensações
Pelo amor / enlouqueço
Pela vida me arrepio
Pelo suor / identifico a temperatura
Pelo êxtase / entrelaço-me nas pernas
Pelo toque / seduzo a perversão
Pelo delírio / entrego-me em sonhos
Pela boca molhada / molho a ponta da língua alheia
Pelo mar / flerto com a sereia
Pela poesia / minha alma vive
o
o

"Há quem passe pelo bosque e apenas veja lenha para a fogueira"
Tolstoi , Léon
o
o

"As coisas mais belas são ditadas pela loucura e escritas pela razão"
Gide , André
o

terça-feira, 1 de julho de 2008

Morango/Tango, por Therence Santiago


Morango / Tango


Morango / Tango
Nos lábios / a pele da fruta
Desnuda / Molhada
Perna suada/
Arrepio / frio
Na barriga / os pelos
Beijos / Seios
Anseios da aurora / Hora
Perdida / vadia
Na mesa / Realeza
O corpo aquecido / Gemido
Fragmento do inteiro / Ponteiro
Passa / Corre /
Escorre / libido / verso saído/
Bate / afinidade / chocolate
Sensação / ação
Do Tango / Morango
0
0

terça-feira, 24 de junho de 2008

Pedaço de Maçã, por Therence Santiago

Quero morder o pecado / tocar a boca umedecida / ver a risada escondida / ver a invenção da rima / Quero perceber o hiato / sentir a pele arrepiada / sentir o som da respiração mais próxima / Quero a permissão / imensa invasão de todos os sentidos / quero tirar a casca da maçã / experimentar a língua contida / provocar a libido / o poema intenso / verso saído / do momento proibido / que domina toda a ação / Pernas entrelaçadas / mãos afoitas / jogadas / deslizando por entre as quimeras enlouquecidas / da dês-razão.
o
o

Em tempo; escrevendo esse poema lembrei-me de Neruda;

"Plena mulher, maçã carnal, lua quente, espesso aroma de algas, lodo e luz pisados, que obscura claridade se abre entre tuas colunas? que antiga noite o homem toca com seus sentidos?Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas, com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:amar é um combate de relâmpagos e dois corpospor um so mel derrotados.Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito, tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos, e o fogo genital transformado em delícia corre pelos tênues caminhos do sangue até precipitar-se como um cravo noturno, até ser e não ser senão na sombra de um raio".


Pablo Neruda

o


domingo, 1 de junho de 2008

Ser Existente do Profano, por Therence Santiago

A flor da pele
Apaixono-me por um olhar
Saliva a imaginação
Euforia
Existe um tato mais próximo
Aproxima
Aguça os pelos arrepiados
O calor das palavras
Aquecem os pensamentos
Momento profano
Especial
São todos os desejos errantes
Flagrantes de sonhos
Imortais
Os orgasmos múltiplos
Irreais
Essa noite
Vou perder-me entre pernas simétricas
Essa noite,
Vou saborear o infinito
Vou agradecer o presente de Dionísio
Dançar na taberna
Derramar a poesia entre os lençóis
Hoje serei como sempre
Diferente,
Dosadamente agressivo,
Intenso, sorridente -
Pervertido.
o
o


"Não existe antídoto mais poderoso contra a baixa sensualidade do que a adoração da beleza" (Diderot)

0

obs: Em tempos, estou em épocas de liberdade, sem pudores, sem rancores, apenas deixando os sentidos fluirem.

o

o


"As sensações são os detalhes que constroem a história da nossa vida"
(Oscar Wilde)

o


sábado, 10 de maio de 2008

Existência, por Therence Santiago




VANESSA DA MATA
Boa Sorte / Good Luck
(Vanessa Da Mata feat. Ben Harper)


É só isso

Não tem mais jeito

Acabou, boa sorte

Não tenho o que dizer


São só palavras

E o que eu sinto

Não mudará

Tudo o que quer me dar

É demais

É pesado

Não há paz


Tudo o que quer de mim

Irreais

Expectativas

Desleais


Mesmo, se segure

Quero que se cure

Dessa pessoa

Que o aconselha


Há um desencontro

Veja por esse ponto

Há tantas pessoas especiais


o

o


Existência



Existe um tempo em meus olhos /
Primavera ardente de meus sonhos /
Existe um sabor em meus lábios /
Morango com chocolate /

Existe uma sensação em minha pele /
Os pelos se arrepiam com a lembrança do toque /
Existe um cheiro em meus sentimentos /
Uma experiência de poesia /

Existe um reflexo no espelho /
Brilha diamante que intensifica /
Existe um pedaço de sorriso /
A brancura da pureza /


Therence Santiago

o

o

sábado, 29 de março de 2008


"Ser moderno é viver uma vida de paradoxo e contradição. É ser ao mesmo tempo revolucionário e conservador: aberto a novas possibilidades de experiência e aventura, aterrorizado pelo abismo niilista ao qual tantas das aventuras modernas conduzem, na expectativa de criar e conservar algo real, ainda quando tudo em volta se desfaz. Dir-se-ia que para ser inteiramente moderno é preciso ser antimoderno"

Marshall Berman em Tudo que é Sólido Desmancha no Ar

o
Em tempo; Intensa crise existência nessa madrugada de Sexta para Sábado entediante, fazer o que né?
o

sábado, 15 de março de 2008

Sisífo arde no fogo de Prometeu, por Therence Santiago


Rola a pedra / a pedra rola / atiça a águia cruel / e sem demora o fígado é devorado / pedaços de amor rasgado / regado a vinho tinto / sentido embriagado / Zeus enlouquecido e irado / ri alucinado / o trabalho de fogo marcado / pela cadência da decência é rogado / A era da tradição acabou / um sonho que não sonhou / Sempre chega a negra noite ansiada / Regenera o caminho da pedra marcada / Rouba os segredos mais íntimos / Um hiato constante no Olímpo / Minha vida refletida na história escondida / da existência repelida / por momentos incontáveis de paixão.
o


TORQUATO NETO


a) A virtude é a mãe do vício

conforme se sabe;

acabe logo comigo

ou se acabe.


b) A virtude e o próprio vício -

conforme se sabe -

estão no fim, no início

da chave.

c) Chuvas da virtude,

o vício, conforme se sabe;

é nela própriamente que eu me ligo,

nem disco nem filme: nada, amizade.

Chuvas de virtude: chaves.


d) (amar-te/ a morte/ morrer:

há urubús no telhado e carne seca

é servida: um escorpião encravado

na sua própria ferida, não escapa:

só escapo pela porta de saída).


e) A virtude, a mãe do vício

como eu tenho vinte dedos,

ainda, e ainda é cedo:

você olha nos meus olhos

mas não vê nada, se lembra?


f) A virtude mais o vício:

início da MINHA transa, início, fácil, termino:

"como dois mais dois são cinco"

como Deus é precipício, durma,

e nem com Deus no hospício

(durma) nem o hospício

é refúgio. Fuja.

o



terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

ACENDA MEU FOGO, Vida Longa a Jim Morrison, por Therence Santiago

ACENDA MEU FOGO (The Doors)

Você sabe que não seria verdade
Você sabe que eu estaria sendo um mentiroso
Se dissesse a você
Garota, não podemos ficar mais doidos
Venha, baby, acenda meu fogo
Venha, baby, acenda meu fogo
Vamos tentar incendiar a noite
O tempo de hesitar passou
Não há tempo de nadar na lama
Tente agora e só podemos peder
E nosso amor se tornará uma pira funerária
Venha, baby, acenda meu fogo
Venha, baby, acenda meu fogo
Vamos tentar incendiar a noite
o

Suave Tormento - Therence Santiago

Beijo a ponta da língua / saliva poesia / a poesia saliva / na ponta do dedo / o tato perfeito / menção honrosa / atenta no bico do seio / cai pelos pêlos a suor escorrido / sonho compartilhado / momento vivido / Na mente a sensação que domina / envolta entre as pernas / o encaixe da rima / perversão / amor violento / repleto de paixão / suave tormento / delírio saído / o lado mais aquecido / mostra o objeto partido / sedução / imagem – ação/ na ponta da língua / o beijo saliva.
o

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Cobiça, por Therence Santiago

O suor escorre no corpo / Contorna a imensidão / delineia espaços provocantes / saliva cortante / gera impulsão / na ponta da língua / a junção da rima / toque ardente / no canto pornográfico da mente / uma angelical idéia de inocência / exala uma fragrância sentida / loucura abstraída / da sensação devassa permitida / vadia / escondida / sinestésica / imersa / no brilho oculto do olhar / que imagina / que cobiça.
o
o
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o
"Me falta tempo para celebrar teus cabelos.
Um por um devo contá-los e elogiá-los:
outros amantes querem viver com certos olhos,
eu só quero ser teu cabeleireiro".
-
"Corpo de mulher, brancas colinas, brancas coxas,te parecem ao mundo em tua atitude de entrega.O meu corpo de campônio selvagem te escavae faz saltar o filho do fundo desta terra".
o
Pablo Neruda
o
o

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Vertigem, por Therence Santiago


Estou vivendo em uma linha Tênue entre a Tristeza e a Felicidade e confesso que estou cansado de me equilibrar. Sinto muito medo, e isso me assusta, provaca-me uma sensação constante de decepção, mas, fazer o que né? Ainda acredito que o bem pode vencer! Só não sei até quando!!
o
o
Em tempo; cada lágrima que sai, é um pequeno pedaço de mim que se perde!
o
o

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Vício da Sensação Devassa, por Therence Santiago

Existe no canto do olho / Uma má intenção radiante / Um verso subversivo / Beijo molhado de amante / Na ponta dos dedos / o tato se faz perfeito / Suga com voracidade o bico do seio / Deixa os pelos tingidos arrepiados / Saliva poesia / preenche o hiato / Na pele aquecida / escorre a gota de suor / enlouquecida / vadia / permissiva / passiva e ativa / doce amarga / amiga / inimiga / É a sensação profana se manifestando / gozo descontrolado / saltando / para fora de toda simetria literária / Liberdade imaginária / alimento da alma errata / sensata / É a carne sangrando / pelo fio da navalha afiada / é vida / boca / pernas entrelaçadas / estação de verão quente / janela do quarto embaçada / simplesmente um pouco de eternidade / simplesmente um pouco mais de pecado...
o
o
"Poesia é o impossível feito possível. Harpa que tem em vez de cordas corações e chamas.
Poesia é a vida que cruzamos com ânsia, esperando o que leva sem rumo a nossa barca".
(Federico Garcia Lorca)
o
o
Em tempo; Entre um anseio e uma alegria, entre o vendaval e a poesia, habito o meio, meio de vida de mim mesmo, desejo!!!
o

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Cansaço, por Therence Santiago

O Mundo é de Quem não Sente

O mundo é de quem não sente. A condição essencial para se ser um homem prático é a ausência de sensibilidade. A qualidade principal na prática da vida é aquela qualidade que conduz à acção, isto é, a vontade. Ora há duas coisas que estorvam a acção - a sensibilidade e o pensamento analítico, que não é, afinal, mais que o pensamento com sensibilidade. Toda a acção é, por sua natureza, a projecção da personalidade sobre o mundo externo, e como o mundo externo é em grande e principal parte composto por entes humanos, segue que essa projecção da personalidade é essencialmente o atravessarmo-nos no caminho alheio, o estorvar, ferir e esmagar os outros, conforme o nosso modo de agir.

Fernando Pessoa, in 'O Livro do Desassossego'
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o

“Cuidado com a tristeza. Ela é um vício”
Gustave Flaubert
o
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Em tempo; estou em uma fase que as palavras me faltam.
o

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Equação de mim mesmo, por Therence Santiago


Estou cheio dentro do vazio que me toma.
o
o
"Já estou cheio
de me sentir vazio
meu corpo é quente
estou sentindo frio"
Baader Meinhof Blues ( Legião Urbana)
o
o

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

do Lat. Immersione, por Therence Santiago

Na água o reflexo / de um objeto partido flutuando / Nos olhos a lágrima foge desesperada / Picasso irritado esculpi a dor / No verso louco de Afrodite / a ato sublime do amor / Rasga as roupas que impedem / O toque mais afoito da língua afoita / A saliva escorre entre uma perna e outra / A luz refletida nos pelos loiros / marca o tempo do orgasmo / É o bico do seio arrepiado mostrando o caminho / delírio e prazer fabricado / uma caixa proibida aberta / liberando toda intensidade possível / um grito rouco / sedução / movimento / libido / abstração / Os anjos dançam a canção / A idéia predileta de Neruda / Um lindo corpo feminino branco / rico em vinho / perfeito em espessura / Sussurra no ouvido uma sugestão de imersão / um mergulho alucinado na contramão / um pouco de eternidade / na bolha flutuante de sabão...
o
o
UM POUCO DE PABLO NERUDA
o

O Poço

Cais, às vezes, afundas

em teu fosso de silêncio,

em teu abismo de orgulhosa cólera

e mal consegues

voltar, trazendo restos

do que achaste

pelas profunduras da tua existência.

o

Meu amor, o que encontras

em teu poço fechado?

Algas, pântanos, rochas?

O que vês, de olhos cegos,

rancorosa e ferida?

o

Não acharás, amor,

no poço em que cais

o que na altura guardo para ti:

um ramo de jasmins todo orvalhado,

um beijo mais profundo que esse abismo.

o

Não me temas, não caias

de novo em teu rancor.

Sacode a minha palavra que te veio ferir

e deixa que ela voe pela janela aberta.

o

Não sou um pastor doce

como em contos de fadas,

mas um lenhador que comparte contigo

terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorrie me ajuda a ser bom.

Não te firas em mim, seria inútil,

não me firas a mim porque te feres.

o

Em tempo; ando tão a flor da pele que não caibo em mim

O


quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Desolação por Therence Santiago

Carros alucinados correm / andam na estrada buscando uma chegada / Bastam às horas que sobraram / Na mente uma idéia fixa de diversão / Os olhos contemplam a imperfeição / Todo tempo tem um tempo de duração / Estamos na era Pós / Lyotard define aversão contrária a especificidade / O que diria Rousseau se estivesse nessa cidade / O que corrompe as pessoas? / O desejo, a moral, a sanidade? / Existe um hiato nos paladares / O gosto já não está sendo aproveitado / Hume cético brindaria à imensidão de não entendimentos / Não existe cogito suficiente para implantar a natureza humana novamente / Descartes até que era bem intencionado / No entanto / fudeu com o imaginário / Retomamos o vácuo xerocado da era iluminista da razão instrumental / Um bolo de chocolate feito de sal / Hoje o futuro é um passado presente que se deleita em momentos dormentes / Estamos de taças vazias na mão / Esperando um pouco de inspiração.....que a nossa vã filosofia perca toda a sua razão.....
o
o
o
Obs: Ouvindo Joy Division
O
O
O

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

do Lat. Artificiu, por Therence Santiago

Arte, que me toma,
me invade, me devora.
Arte, pedaço de bolo quente,
na mente um idéia de aurora.
Arte, me beija a boca molhada,
me ame a pele suada,
derrame a poesia declamada.
Arte, que sufoca a língua afoita, louca,
sussurre a voz feminina rouca.
Arte, que conduz a espera da flor,
que constrói a quimera de amor,
confeccione a primavera.
Arte, abra as pernas brancas,
arrepie os seios rosados,
provoque o gemido ousado.
Arte, mude a direção,
corra na contramão,
faça o caminho errado.
Arte, equilibre o perfeito quadro,
mostre o verso desvairado,
do continuo poema inacabado.
O
O
@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@
__________________
EU
Nas calçadas pisadas
de minha alma
passadas de loucos estalam
calcâneo de frases ásperas
Onde
forcas
esganam cidades
e em nós de nuvens coagulam
pescoço de torres
oblíquas
soluçando eu avanço por vias que se encruzi-lham
à vista
de crucifixos
polícias.
O
O
MAIAKÓVSKI
OOOOOOOOOOOO
O
O
O
O

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Um Brinde a Alienação !!!!!!, por Therence Santiago


Estava outro dia na rua e percebi como nessa época do ano as coisas ficam mais rápidas. As pessoas andam com mais pressa, desejam e consomem com mais pressa. Lembro-me de quando pequeno, desejar o ano inteiro pelo Natal. A idéia fantástica de ver o Velho Noel era algo inacreditável. Minha família, católica por tradição, alimentava essa lenda, fortalecia esse mito dentro de mim. Posso até dizer que a minha primeira grande decepção na vida, foi quando me disseram que o velhinho Noel, era o meu Primo mais velho disfarçado. Lembro que aquela revelação foi como uma espécie de soco direto no estomago. Quando começamos a ter contato com o tão sublime e inquestionável mundo das idéias, logo nos revoltamos com as coisas ‘tolas’ da vida. Vemos o Natal como uma data Capitalista. Papai Noel um reacionário que só realmente alegra os ricos, que tudo faz parte de uma maquina mirabolante de sustentação do Capital. Em fim, essas coisas que os chamados ‘pensadores ou militantes’ de esquerda adoram inserir via teorias bem construídas nas cabeças e almas dos jovens. Não precisa ser de esquerda para saber que sim, o Natal representa uma data que gera riquezas, que o Natal cruelmente alimenta impérios, que utiliza dos sonhos alheios e de certa forma das ignorâncias e ingenuidades alheias, para gerar mais e mais dinheiro. Mas, ai me pergunto; Dentro da alienação que prende as pessoas, será que elas, nessa data, não estão realmente felizes? Será que o sonho, a fantasia, mesmo dentro de um sistema desigual e injusto, não pode existir para as pessoas menos favorecidas e até as mais favorecidas economicamente? Até que ponto a erudição, titulação acadêmica ou a Puta Queu Pariu deve ser colocada sempre em primeiro lugar? Estou envolvido com teorias, grandes Mestres e Doutores a uns 8 anos sem descanso, li e possuo em casa centenas de livros (E digo isso no sentido literal da palavra, Lílian já nem se aborrece quando chego com um novo livro em casa rsrs) e confesso (que absorvi até mais conhecimento do que deveria se tratando da minha idade) que em alguns momentos passa pela minha cabeça trocar tudo, todos os pensamentos maravilhosos dos grandes filósofos, sociólogos, antropólogos e genéricos, pela magia da risada e alguns poucos brinquedos simples que me era ofertado pelo velho Noel. Trocaria toda possibilidade de titulação e reconhecimento quer seja acadêmico, literário ou não, por aqueles rápidos e intensos momentos de euforia, alegria, excitação e magia, que sentia quando criança na data de Natal.


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Em tempo; as vezes sinto muito, por sentir tanto !!!!


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sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Tributo à Afrodite (Lembranças de Adônis), por Therence Santiago

....O sonho espreita o horizonte / escapa da boca / o desejo do beijo molhado / a faca do tempo corta a carne / sangra o momento passado / Lindo verso confeccionado / arde em tesão a pele arrepiada / Vermelha cor poesia / um corpo insinuante / simetria / Os olhos buscam o toque / Páris tomou a decisão certa / Deixou Atena irritada / Boa causa / O amor sempre vence / Nem que seja por pequenos instantes / Lançada no mar / erguida da espuma / Cheia de malicia / branca, linda, nua / AFRODITE seduz a sedução / dita o ritmo desesperado da paixão / aproveita o vinho derrubado / Cultua o corpo amado / imagina o perfeito quadro / Flertando com prostitutas sagradas / Mordo vorazmente a Romã / Descarto cruelmente Andrômeda / Passo a ponta da língua na Maçã / Viva Afrodite / exploda fera / brigue com a calma / desafie Hera / Alimente as quimeras do meu anseio guardado.......
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O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso. Não me tires a rosa, a lança que desfolhas, a água que de súbito brota da tua alegria, a repentina onda de prata que em ti nasce. A minha luta é dura e regresso com os olhos cansados às vezes por ver que a terra não muda, mas ao entrar teu riso sobe ao céu a procurar-me e abre-me todas as portas da vida. Meu amor, nos momentos mais escuros solta o teu riso e se de súbito vires que o meu sangue mancha as pedras da rua, ri, porque o teu riso será para as minhas mãos como uma espada fresca. À beira do mar, no outono, teu riso deve erguer sua cascata de espuma, e na primavera, amor, quero teu riso como a flor que esperava, a flor azul, a rosa da minha pátria sonora. Ri-te da noite, do dia, da lua, ri-te das ruas tortas da ilha, ri-te deste grosseiro rapaz que te ama, mas quando abro os olhos e os fecho, quando meus passos vão, quando voltam meus passos, nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria.

Pablo Neruda

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Em tempo; as vezes algumas poucas palavras nas entrelinhas dizem mais do que mil palavras diretas. A surpresa está na permissão em ser surpreendido

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

do Lat. Abstractu, por Therence Santiago


Pegue o verso morno
Jogue-o no tempo abstrato
Kandinsky fala sobre a loucura
Na imensa moldura um sonho despencando
Segredos íntimos se multiplicando
Existe uma cor que da vida as outras cores
É um pouco de razão o que vejo
Embrulhada em um papel vermelho
Reluz a boca falante
Desejo
Desejo
Desejo
O poema tem uma nota
Forma variada dês-proporcional
Deleuze sábio mostra o caminho
Dês – Construção das series
Isso é um pouco de Pós – Modernidade
Foda-se a simetria
Estou a um passo do abismo
Isso me deixe excitado
Kafka e Foucault vivem
Na estética da minha existência
Confecciono a medida certa de Metamorfose
Transformação
Transformação
Transformação


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Em tempo: Poema em homenagem a Gregor Samsa

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Inspiração vinda do som de Depech Mode

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sábado, 8 de dezembro de 2007

do Lat. Sentire / Exercere, Por Therence Santiago


O Medo De Nós Próprios

"Acredito que se um homem vivesse a sua vida plenamente, desse forma a cada sentimento, expessão a cada pensamento, realidade a cada sonho, acredito que o mundo beneficiaria de um novo impulso de energia tão intenso que esqueceríamos todas as doenças da época medieval e regressaríamos ao ideal helénico, possivelmente até a algo mais depurado e mais rico do que o ideal helénico. Mas o mais corajoso homem entre nós tem medo de si próprio. A mutilação do selvagem sobrevive tragicamente na autonegação que nos corrompe a vida. Somos castigados pelas nossas renúncias. Cada impulso que tentamos estrangular germina no cérebro e envenena-nos. O corpo peca uma vez, e acaba com o pecado, porque a acção é um modo de expurgação. Nada mais permanece do que a lembrança de um prazer, ou o luxo de um remorso. A única maneira de nos livrarmos de uma tentação é cedermos-lhe. Se lhe resistirmos, a nossa alma adoece com o anseio das coisas que se proibiu, com o desejo daquilo que as suas monstruosas leis tornaram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos do mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e apenas neste, que ocorrem os grandes pecados do mundo".
Oscar Wilde, in 'O Retrato de Dorian Gray'

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Inspiração

Ato sublime de criação
Liberdade saída da opção mais insana
Intensa mordida na maçã
A boca sente a textura do beijo
O sangue ferve,
O universo conspira a favor
Pandora louca liberta
Fúria, Sexo, Poesia,
Amor.

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Perfeição;

Elle est retrouvée!
Quoi? L' éternité.
C est la mar mêlée
Au soleil
Mon âme éternelle,
Observe ton voeu
Malgré la nuit seule
Et le jour en feu.
Donc tu te dégages
Des humains suffrages,
Des communs élans!
Tu voles selon...
— Jamais l' ésperance.
Pas d' oríetur.
Science et patience,
Le suplice est sur.
Plus de lendemain,
Braises de satin,
Votre ardeur
C' ést le devoir.
Elle est retrouvée!
— Quoi? — L' éternité.
C' est la mer mêlée
Au soleil.
Artur Rimbaud
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sexta-feira, 30 de novembro de 2007

do Lat. Deliriu Provocare, por Therence Santiago


.....Existe uma idéia no horizonte / Uma vontade de degustar / Paraíso louco e rouco é esse que me toma / Vinho tinto seco / Deslize inevitável da paranóia / Um sorriso tímido sempre se mostra / no canto da boca / que pede mais palavras / Dioniso em meu sono aparece gargalhando / Segurando uma taça cheia e flertando / Seduz Afrodite com seus segredos mais íntimos / Estou ficando louco de tanta sanidade / Paradoxo morno / Incontrolável e intenso / O pedaço mais saboroso do bolo / sempre é guardado a sete chaves / Deixe-mos o toque nos brindar / o verso nos arremessar de encontro com a pele / os lábios sentirem o calor entre as pernas / Existe uma música que toca / possui uma estrutura composta de carne e sangue / Sua letra fala de amor / seu ritmo dita a velocidade do desejo / sua ultima estrofe acaba com um demorado beijo / existe uma idéia perdida no horizonte que me faz sentir bem.....
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Em tempos; outro dia ouvi em uma música a seguinte frase "Nem sempre a fraqueza que se sente quer dizer que a gente não é forte".
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"Porque eu sou feito pro amor / Da cabeça aos pés / E não faço outra coisa /Do que me doar /Se causei alguma dor / Não foi por querer / Nunca tive a intençãoDe te machucar".
(Música de Ana Carolina, Rosas)
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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

do Lat. Dementia Continuare, Por Therence Santiago

.... A Rua 13 é logo ali / nela palhaços sorridentes choram a subversão / Os sonhos transitam livres em quimeras alucinadas / Um antivírus de tudo que nos mata está lá / Resta um suspiro prolongado / Tomemos um fôlego na Rua 13 / Tudo que por lá passa recebe uma linda cor / Cor vermelha / Vermelho Boca / Afoitos pensamentos que querem beijar / Em suas vielas o sexo é livre / corpo contra corpo / ritmado e acelerado / dançando uma música de prazer / Libido descomedida / Verso saído / Pele quente que irradia / A Puta mais pura e linda está lá/ pronta para te ouvir / Sedenta para te amar / Basta um pouco só de atenção / Um pouco de vontade em representar / Lá na rua 13 / toda ação é bem vinda / É um Lindo palco para se representar / amar, sentir, deslizar, confeccionar / Afrodite habita a rua 13 / Vou para lá / encontra- lá ensandecida / para me encontrar / Minha Deusa do amor / toque a ponta de sua língua em meu pescoço / Desça para as profundezas do pensamento / Liberte o momento / Deixe o tempo ser livre / deixe o vento me levar / me ensine a conjugar o verbo imperfeito amar / sei que posso contar com você / pois, logo ali, é a nossa rua /a Rua 13......

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Os teus pés

Quando não te posso contemplar / Contemplo os teus pés / Teus pés de osso arqueado, / Teus pequenos pés duros, / Eu sei que te sustentam / E que teu doce peso / Sobre eles se ergue. / Tua cintura e teus seios, / A duplicada purpura Dos teus mamilos, / A caixa dos teus olhos / Que há pouco levantaram voo, / A larga boca de fruta, / Tua louca cabeleira, / Pequena torre minha. / Mas se amo os teus pés / É só porque andaram / Sobre a terra e sobre / O vento e sobre a água, / Até me encontrarem.

Pablo Neruda

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Em tempo; escrevi esse texto ouvindo;

Dani California
Red Hot Chili Peppers
Composição: Anthony Kiedis,Flea,John Frusciante e Chad Smith


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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

do Lat. structura, por Therence Santiago


"Não existe antídoto mais poderoso contra a baixa sensualidade do que a adoração da beleza". Oscar Wilde


"A vista não se sacia de ver, nem o ouvido se farta de ouvir".

Fonte: "Eclesiastes 1,8" Autor: Textos Bíblicos


"Sem pecado, nada de sexualidade, e sem sexualidade, nada de História".
Soren Kierkegaard


"Para tornar a realidade suportável, todos temos de cultivar em nós certas pequenas loucuras". Marcel Proust


"A psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura, pois é a loucura que detém a verdade da psicologia".
Michel Foucault
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............Ofereço-lhes pedaços cheios de mim..............

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s. f.,
a composição, construção, organização e disposição arquitectónica de um edifício;
disposição especial das partes de um todo (ser vivo, obra literária, etc. ) consideradas nas suas relações recíprocas;
composição;
contextura;
sistema;
conjunto de relações entre os elementos de um sistema.

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quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Tristitia Memorare, por Therence Santiago

.......Tempo estranho que me acompanha / Verso confuso da meia – noite / De volta o delírio toma forma / Forma um novo velho poema / Em minha mente / minha boca sente a ausência / Delicado momento / tormento / Estou a um passo do descontrole / Caos imerso e submerso / No sorvete quente experimentado no verão / Uma luz irradiante cor de sol se faz distante / Segredos se multiplicam / e em um longo instante / os olhos não param de chorar / Primavera seca / angustia no ar / Estou pronto dessa vez / arremesso para o vento o que for necessário / Fragmentos do inevitável / Copo de vinho de cristal quebrado / A pele mais intensa / Posiciona-se no meio fio / meio fio de minha navalha / minha carne sangra / sangra poesia liquida / Minha mente sente / sente a sensação indecisa / quero beber de uma única vez o tempo estranho que me acompanha.....
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.....Permito-me a tristeza / Permito-me a fantasia / O poema mais confuso possível / Quero sentir o sabor do bolo / como se fosse a primeira vez / Ser o grande tolo / Sentir o frio na barriga / Ficar excitado com a possibilidade / de simplesmente roubar um beijo / Desejo puro do primeiro contato / quero ouvir a música mais cafona e chorar / quero de volta a inocência que me prendia / que me consumia e me proibia / Quero o arrepio da pele / o calor incontrolável e inexplicável / quero sonhar com o mar / com a areia / com Afrodite nua / deitada em minha cama de pernas abertas / pedindo-me um toque / Uma cartada de sorte / Quero de volta a possibilidade de ser infantil / de poder sentir o tempo em meu rosto / com apego / quero colocar a mão para fora do vidro do carro / e sentir o vento fazer parte de mim........
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Em tempo; todo tempo é tempo de morrer um pouquinho mais rsrs.
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terça-feira, 30 de outubro de 2007

Um Mal necessário, por Therence Santiago







...Existe uma verdade nos olhos / Um tempo de repetições / palavras não são mais palavras / São justificativas para a ilusão / Existe um tempo / Espelhos defeituosos / Refletem silhuetas disformes / Exercícios descomedidos de poderes / Razão sem inspiração / No palco os atores brincam de atuar / Paranóia delirante da erudição / A sensibilidade é um sentido sem sentido / não faz sentido e não tem sentido / Vamos nos nutrir com os métodos / Vamos tomar remédios anestésicos / Forçar a imaginação a parar de imaginar / Vamos sufocar o verbo / Deixá-lo morno / manco e calado / Vamos nos manter no anonimato / Brindar o ego / cessar a respiração / e oportunamente opinar / Somos sábios / intelectuais / seres sublimes / criados pelos insanos naufrágios da idéia insana de se entender / a existência humana / Vamos buscar a academia / subir no degrau do conhecimento / e com certo talento e desprezo / comemorar a arrogância / a ironia / vamos buscar um título no papel / para sentir alegria / monotonia / Um brinde ao mundo frigido, flácido e insensível das idéias .......
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Em tempo; estou entre a cruz e a espada, momento totalmente paradoxal, fazer o que????
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sábado, 27 de outubro de 2007

O Panoptismo Desvairado, Foucault Vive !!!!, por Therence Santiago


Tropa de Elite com certeza diz muito mais do que as pessoas acham. Padilha traz uma idéia de dinâmicas sociais que se condensam nas entrelinhas da sociedade. As relações de forças se mostram lineares, diluídas e complexas, fluxos contínuos de exercícios de poderes, onde não existe certo ou errado, bem e mal, ou seja, partindo da sublime idéia de Foucault se tratando das tensões sociais, percebe-se que muitas sociedades, em especifico a brasileira está se construindo e se dês-cosntruindo o tempo todo.

Tropa de elite é muito mais complexo e fascinante que suas cenas de violência explicita, violência a qual seguindo uma idéia dos filósofos pós- estruturalistas franceses, é conseqüência das relações desenvolvidas em cotidianos desequilibrados e intensos.

Com certeza, um dos filmes mais brilhantes já produzidos na história do cinema!!!!!
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"Melhores ou piores a bota que pisa é sempre uma bota, entedeis o que quero dizer, não mudar de senhores, mais sim, não ter nenhum".
Brecht
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Em tempo, estamos numa fase de exercícios de poderes...
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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Entrelinhas, por Therence Santiago

E
N
T
R
E
L
I
N
H
A
S
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Querer / querer

Queria eu,
ter o poder mágico
de paralisar os ponteiros do relógio,
de brincar com o tempo
e mover o imóvel.

Queria eu,
silenciar a pressa,
acalmar a espera,

Queria eu,
mostrar o caminho do jardim,
sentir o odor de jasmim,
e juntar os pedaços de mim.


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"AS
GRANDES
PAIXÕES
PREPARAM-SE
EM
GRANDES
DEVANEIOS".
BACHELARD ( A poética do devaneio)
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"Quando percebo, não penso o mundo, ele se organiza diante de mim".
Merleau-Ponty
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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Poesia do Amor em Si menor , por Therence Santiago

....O verso tinge o pedaço de pano / Simples desejo de ver o desconhecido / suave doce amigo é o vinho / na taça de cristal frágil os sonhos condensam-se / misturam estações / brindam os sentidos / Nos olhos a idéia sublime de perfeição / nos pensamentos o intuito abstrato de perversão / Tudo se resume em um aglomerado de sensações / Perde-se no tempo a imagem que não se formou / cala-se o grito mais poderoso que não sou / Na batida constante do beijo / o lábio afoito sente a língua / toca o toque / saliva poesia / sexo regado a muita fantasia / silhueta do corpo suado / escorre em linhas suaves e macias / eternidade momentânea / miscelânea.....
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"Quando você me pegar no lado da maioria, é tempo de parar e refletir"
(Jim Morrison)
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"Venham a mim os loucos
os roucos, os poucos
os perdidos, vencidos e poetas!
Juntem-se a mim
rasgando gravatas
e quebrando televisores!
Sigamos o longo e solitário caminho
que leva a nós".
( Fabio Rocha)
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sábado, 6 de outubro de 2007

Permittere, por Therence Santiago


....Existe um verso em minha mente / É uma espécie de idéia demode / amor / Explode um som que quer sair do anonimato / Uma sensação intensa me toma / rasga a carne crua / Traça a pele nua /Anseio uma suíte altamente sofisticada de um motel barato / É uma praga que se espalha em meu sangue / E em um momento de tormento / O Poema arrebenta meu peito / Traz sentidos incontroláveis de conhecer o proibido / Beber na mesma taça do meu inimigo / Beijar os seios rosados / Deitar na cama repleta de rosas / Engasgar com o vinho tinto / Quero embebedar-me com a saliva cristalina alheia / Em uma teia de provocações / Adrenalina / Hiato / Meus olhos vêem um corpo ansioso por pequenas mordidas / desliza a ponta da língua / A ponta da língua desliza / Saboreia a pele quente / Acaba com o espasmo dormente / Provoca o gozo / Dês - constrói a imagem cubista / Junção / Nem que seja por instantes enlouquecidos de uma tênue razão / Quero sentir a poesia loucamente invadir / Todos os espaços possíveis que estão nas quimeras ardentes / entre as coxas quentes / Pequeno momento de delírio altamente consciente / amor.....amor....e muito mais amor....


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Obs: Estamos em fases de mudanças significativas de Paradigmas - A mente só se liberta realmente se realmente a mente se libertar .


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Em tempos - Renovado pelas experiências poéticas vivenciadas em Bento - RS.


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" Eu daria o mundo

Por um canto em mim

Um pedaço de alma qualquer

Onde eu pudesse plantar a calma

Enfeitar meus afetos

E caber dentro do meu coração".


Mônica Montone


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sábado, 22 de setembro de 2007

Tudo ao Mesmo Tempo Agora, por Therence Santiago

Pensamento Pós-Moderno

Minha essência arrebenta a minha existência ,
Minha racionalidade alimenta minha loucura,
O vinho que bebo circula meu sangue,
Pedaço de carne humana no ponto
Verso do inferno queimando

Entre a negritude do certo e a brancura do errado,
Desfilo no meio,
meio fio da minha navalha,
Corto a boca com saliva alheia,
Procuro rasgar a sensação superficial

Desatino purificado do purgatório,
Purgatório que reza a menção honrosa,
O titulo imaginário do prazer e dor fabricado,
Nos olhos a imagem do toque,
Lábios sedentos de doce

É uma Babel loca sensitiva,
Poesia vadia da boca do lixo,
Desejo angelical da Puta mais pervertida,
Que dança na ansiedade de calar o medo,
Medo de deixar de ser especial

Vontade descontrolada de libertar o irracional,
Sou reflexo de mim mesmo,
Refletido no riso encoberto de Nietzsche,
Para além do bem
E do mal
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Sempre Entrelinhas
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sábado, 15 de setembro de 2007

Fragmentos, por Therence Santiago






“Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse.”
Friedrich Nietzsche

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Sei o puldo das palavras a sirene das palavras. Não as que se aplaudem do alto dos teatros. Mas as que arrancam caixões das trevas e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro Às vezes as relegam inauditas inéditas. Mas a palavra galopa com a cilha tensaressoa os séculos e os trens rastejampara lamber as mãos calosas da poesia Sei o pulso das palavras parecem fumaça. Pétalas caídas sob o calcanhar da dançaMas o homem com lábios alma carcaça.

Vladimir Maiakovski (1893-1930)

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- Penso que qualquer criança que tenha sido educada em um meio católico justamente antes ou durante a Segunda Guerra Mundial pôde experimentar que existem numerosas maneiras diferentes de falar e também numerosas formas de silêncio. Certos silêncios podem implicar em uma hostilidade virulenta; outros, por outro lado, são indicativos de uma amizade profunda, de uma admiração emocionada, de um amor.

No discurso que hoje eu devo fazer, e nos que aqui terei de fazer, durante anos talvez, gostaria de neles poder entrar sem se dar por isso. Em vez de tomar a palavra, gostaria de estar à sua mercê e de ser levado muito para lá de todo o começo possível. Preferiria dar-me conta de que, no momento de falar, uma voz sem nome me precedia desde há muito: bastar-me-ia assim deixá-la ir, prosseguir a frase, alojar-me, sem que ninguém se apercebesse, nos seus interstícios, como se ela me tivesse acenado, ao manter-se, um instante, em suspenso. Assim não haveria começo; e em vez de ser aquele de onde o discurso sai, estaria antes no acaso do seu curso, uma pequena lacuna, o ponto do seu possível desaparecimento.
Michel Foucault
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Somente pela arte podemos sair de nós mesmos, saber o que um outro vê desse universo que não é o mesmo que o nosso e cujas paisagens permaneceriam tão desconhecidas para nós quanto as que podem existir na lua. Graças à arte, em vez de ver um único mundo, o nosso, vemo-lo multiplicar-se, e quantos artistas originais existem tantos mundos teremos à nossa disposição, mais diferentes uns dos outros do que aqueles que rolam no infinito e, muitos séculos após se ter extinguido o foco do qual emanavam, chamasse ele Rembrandt ou Ver Meer, ainda nos enviam o seu raio especial.
Marcel Proust, in 'O Tempo Reencontrado'
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Drink

.....E o gelo estoura,
Condensa-se no copo cheio de whisky,
Faz do vidro um espelho molhado,
Ora frio, ora embaçado

Na simetria inconstante
Do olhar que busca horizontes,
Bebo meus anseios.
Nas imagens bêbadas de mim...

Therence Santiago

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sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Um Lugar Perfeito, por Therence Santiago


....Existe um tempo / em que o tempo é o que menos importa / existe uma cor / que da vida a cor morta / existe um pedaço de bolo / que da o tom da música arrebatadora / um olho que há tudo vê / uma coxa sedutora / Existe uma plataforma / nela os sonhos pulam dentro do mar / condensam-se com o sol / exercitam a perversão do amar / Existe um espelho / nele a imagem de um longo beijo / expressa expressão / Afrodite e Dioniso flertando em rosas / corpo em evidência / pele aquecida / arrepiada / vadia / Existe um segredo que todo mundo conhece / Nele uma pitada de sal / mostra o sabor da boca afoita / da poesia louca / do verso roubado entre as pernas / do cabelo de anjo caído nos sentidos / um lugar perfeito.......
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Em tempo, ando ouvindo nos últimos dias muito Oasis.
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"Para proteger do sol um sombreiro
Contra a geada a cesta de algodão.
Salpicadas de água e as raízes cobertas de lama
Transplantadas conservarão a beleza".
(Brecht)
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domingo, 2 de setembro de 2007

Dês - Focado, por Therence Santiago


.....Tempo estranho esse / o poema sente-se sufocado / espera uma ruptura com o imediato / singelo presente passado / os olhos espreitam o inicio da primavera / na taça de cristal uma quimera / embriagado o suspiro sai afoito / é a manifestação do inevitável / sabor doce amargo agradável / Me desculpe tento ser perfeito dentro de toda a minha imperfeição / Me desculpe meu relógio não acompanha essa vida pós / O gosto do vinho não sai da minha boca / escorre entre os lábios / e como uma sensação vadia e louca / irrompe para todos os lados / Me desculpe não sei rezar / Me desculpe não sei ficar sem pensar / preciso de abrigo / no verso escondido / preciso de abrigo / no olhar refletido pelo espelho quebrado / Vampiro de mim mesmo / Golpeio a garganta sufocada / rasgo a carne fabricada / do mesmo estranho tempo que me ataca..... meu inimigo......
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Em Tempo; Ando ouvindo muito música dos anos 80, esse pequeno poema saiu influenciado pela música do Morrisey.


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"É necessário estar sempre embriagado. Tudo está ai: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que quebrando vossos ombros e vos curva em direção à terra, deveis vos embriagar sem trégua. Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtudes, como quiserdes. Mas embriagai-vos". ( Baudelaire)


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" Da na mesma compor a duração de instantes e querer formar um número somando zeros". (Espinosa)
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sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Uma Idéia de Natureza Humana, por Therence Santigo

......Passa o tempo em um espaço pequeno / Os olhos piscam sem parar / É um novo momento / o sol brilha até não aguentar / Espasmos musculares / no espelho de tripla face / sorridente o palhaço chora / a taça está transbordando / aqui somos todos informais / roupas estravagantes brilham ao luar / uma sensação de permissão invade / rasga a feição / convida para dançar / estamos a espera de algo novamente novo/ estamos esperando o sonho / diálogos estranhos compõem as emoções / confusas ingratas / bregas, baratas / No fim de tudo / talvez o poema se forme / mostre uma forma delicada / como um vento que toca / na boca um sublime sabor / um beijo demorado / o verso roubado / um hiato de amor / Para uma revolução pura / volta em si mesmo / um pedaço de algo perfeito / traz sinestesia / emergência / toque sútil / fantasia / orgasmo satisfeito ........uma idéia qualquer de Natureza Humana....
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A Queda (Lobão)

Quantos sonhos em sonho acordo aterrado
A terrores noturnos minha alma se leva
É um insight soturno é o futuro passando
Na velocidade terrível da queda
Na velocidade terrível da queda
Ante o colapso final a vertigem
próximo ao chão a penúltima descoberta
Que a lógica violenta das cores tinge
A velocidade terrível da queda
A velocidade terrível da queda
Como cair do céu é tão simples
Queda que a tudo e a todos transforma
Ah! as bombas, a chuva, os anjos e seus loucos
O mundo todo na velocidade terrível da queda
O mundo todo na velocidade terrível da queda
Resvalando em abismos um pôr do sol furioso
Que a sensação de perda ao ver exagera
É o desespero vermelho de um apocalipse luminoso
Ejaculado da velocidade terrível da queda
Ejaculado da velocidade terrível da queda
Diante do medo um sorriso aeróbico
Nas bochechas a câimbra de uma alegria incompleta
Nada como um sorriso burro e paranóico
Para não perceber a velocidade terrível da queda
Para não perceber a velocidade terrível da queda

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Em tempo - cada hora que passa é uma hora que passou!!!!!!!

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domingo, 19 de agosto de 2007

A Estética da Existência parte I, por Therence Santiago

Kafka bem como Foucault, trazem a inquieta idéia de prisões desenvolvidas dentro de si, Macacos em Panótipos dançam felizes e ignorantes em linhas tênues de entendimentos sobre o conceito de sociedade, de realidade, de mundo. Entre um grande edificio e outro existe o meio, sim, o meio. Sempre entreposto em uma decepção e uma quimera, mais sempre ele está lá, ora dando sentido a falta de sentido, ora brincando de sustentar. Certa vez li em um livro que ‘a sociedade moderna é a sociedade das massas, dos sujeitos coletivos, da solidão de homens perdidos na multidão, acossados pela burocracia, alienados pelo maquinismo e pelo capital’, não gosto muito de usar a palavra ‘capital’, isso as vezes soa com uma espécie de marxismo radical, e confesso que abondonei essa idéia há tempos, prefiro pensar na questão de alienação atrelada ao sonho, um sonho fabricado, um sonho produzido, muitas vezes via mídia, sei lá, via cotidiano que seja. Na realidade o que penso muito hoje, é até que ponto foi interessante e inteligente experimentar a “a pílula vermelha”? As pessoas burras são mais felizes, as pessoas ‘normais’, são mais sábias. As pessoas anestesiadas muitas vezes em suas intermináveis e continuas anestesias sentem-se felizes e realizadas, são mais completas. Sendo assim, penso sempre, até que ponto a reflexão é importante? O mundo está repleto de pessoas burras e felizes. Que Deus abençoe a Ignorância!!!
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“No Panoptismo, uma sujeição real surge mecanicamente de uma relação fictícia. De sorte que não é necessário recorrer à força para obrigar o condenado ao bom comportamento, o louco à calma, o operário ao trabalho, o estudante à aplicação, o doente a observação das recomendações”.
Michel Foucault

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Em homenagem aos nossos tempos Pós-Modernos!!!!!!!!

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sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O Sonho de Rimbaud, O Sol Mergulhando no Mar - Eternidade, por Therence Santiago


Pequeno Hiato
.....Existe uma sensação que rasga meu peito, um desejo, um anseio de que no final o sol brilhará mais forte. Tenho um poema em minha mente, nele os pensamentos sempre correm soltos e livres, versos agitados e intensos posicionam-se em cima do olhar mais próximo. Na mesa uma taça de vinho me convida ao devaneio, simplesmente mais um momento, apenas mais um momento. Tudo para no sorriso que provoca. Uma timidez existencial reflete-se em um simples e intenso doce com sal, um sabor identificável uma primavera no meio do inverno, interno de meus sonhos, caminho na estrada a procura da sensação mais intensa, busco a rima mais provocativa, perdida, amiga No concreto abstrato da minha objetividade mais subjetiva, construo a idéia de uma longa e demorada mordida na maça......, possibilidade.....eternidade.
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Obs: ouvindo Here I go Again, by Whitesanake

No I don't know where I'm going /But I sure know where I've been /Hanging on the promises in songs of yesterday / And I've made up my mindI ain't wasting no more time / Though I keep searching for an answer / I never seem to find what I'm looking for / Oh Lord I pray you give me strength to carry on' / Cause I know what it means /To walk along the lonely street of dreams / And here I go again on my own /Going down the only road I've ever known / Like a drifter I was born to walk alone / But I've made up my mindI ain't wasting no more time / Just another heart in need of rescue / Waiting on love's sweet charityAnd I'm gonna hold on for the rest of my days'Cause I know what it means / To walk along the lonely street of dreams / And here I go again on my own / Going down the only road I've ever known / Like a drifter I was born to walk alone / And I've made up my mindI ain't wasting no more time / But here I go againHere I go again / Here I go again /Ooo baby Oooooo yeah (guitar solo) And I've made up my mind
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domingo, 5 de agosto de 2007

Corpo, Intensidade, Subversão, por Therence Santiago

Foto: Alexandre Salles

Pequeno Paraíso

Toca a pele a ponta da língua,
Saliva marca o compasso, a rima
A respiração acelera
No tempo verbal que termina

Sons formados de carne e sangue,
Pequena transcendência intensa,
Desejo pervertido,
Imagem cubista imensa

O tato mais próximo se aproxima,
Deita nua na cama,
E olhando para cima,
Solto um gemido de quem ama

Delírio inconstante de contemplação,
Movimento insípido fragmentado,
Poesia derramada no lençol,
Pequeno paraíso ofertado

Êxtase,
Êxtase,
Êxtase.
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Obs: Em tempo, insisto com a poesia, pois, acredito ser a mesma um possível caminho para a terra do nunca.
oooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo


terça-feira, 31 de julho de 2007

Doce Depressão, por Therence Santiago


.....Hoje vi um programa na MTV que falava sobre o movimento e a música gótica, dentre muitos assuntos abordados tocou-se na questão da tristeza. Falando desse movimento isso até que é meio óbvio, mas o que me chamou atenção dentre muitos clips e entrevistas que passaram, foi justamente o assunto relacionado à dor e ao prazer. Isso me lembrou uma discussão que rolou certa vez na minha sala de aula na especialização sobre o mundo ‘do prazer’ o qual vivemos. Nietzsche inspiradamente sempre nos chamou atenção sobre a origem dos nossos conceitos, em suas ‘genealogias’ ou em seus para ‘além do bem e do mal’, ele sempre apontava novos horizontes a se pensar quando o assunto se postava na questão do que entendemos, de como definimos as coisas, como criamos nossos conceitos, nossos pré-conceitos, etc. É interessante observar como todos sempre buscam o prazer no sentido comum da palavra, existe um enorme combate, inclusive químico contra a doença do século XXI, a depressão. Não quero entrar aqui no mérito de discutir a depressão, pois, creio não ter competência para isso, minha reflexão se limita a pensar talvez de uma forma mais compenetrada o que realmente entendemos por dor e prazer, por tristeza e felicidade, sei lá, de repente até mesmo por bem e mal. Confesso que pensei nessas coisas, influenciado pelo programa da MTV, até mesmo, cheguei a baixar algumas musicas de bandas as quais não ouvia há algum tempo, tipo The Cure, Sisters of Mercy, The Smiths, entre outras. Sei lá, talvez toda essa melancolia do final dos anos 70 e dos anos 80 me deixem um pouco mais feliz nesses tempos anestésicos os quais vivemos.......
* Em tempo, segue um poema que escrevi a muito, cerca de uns doze anos atrás, só mudei o nome;
Pós -Moderno

Sinto abstrações em tudo
que vejo.
Sinto estranheza
sempre no desejo

O calor que não toca,
a mão que não acaricia,
sempre mostra
objetos partidos.

E o cubista sintético
retrata em cores fortes,
os sentidos patéticos
pintados em tons de morte

obs: Sempre em busca da sensação mais plena e intensa!

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Entre Rosas e Vinho Tinto, Espelhando Realidade Imaginária, por Therence Santiago

Foto: O Caminho das Rosas - Kristinna
As vezes me sinto como o olho que a tudo vê. Uma espécie de visionário da cegueira. Pensamentos soltos me rodeiam, transito entre um verso e uma quimera, sinto sempre o cheiro da primavera. Ah! como gosto da primavera!! É o flerte em forma de estação. Sintonizo meu radio autamente acelerado em busca de uma única sensação, amor! Uma palavra conflitante, ora está em moda, ora está guardada á sete chaves, uma potente palavra que não possui forma nem definição. Nesses tempos desatualizadamente atuais os quais vivemos, penso sempre em Dionisio. O que será que ele dizia para Afrodite, que a deixava tão à mostra, tão excitada? Será que ele a entorpecia com demasiado vinho? Tudo bem, se era para exercitar o amor, tudo é valido. O que importa na realidade é que a realidade não tem a menor importância. Por isso, (plagiando uma musica do Ira), vou me entorpecer bebendo vinho rsrs.
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iLa Oración de Las Rosas!

Rosas, rosas, joyas vivas de infinito;
Bocas, senos y almas vagas perfumadas;
Ilantos, ibesos!, granos, polen de la luna;
Dulces lotos de las almas estancadas;
iave rosas, estrellas solemnes!

Trecho do Poema A Oração das Rosas – Federico Garcia Lorca

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quarta-feira, 18 de julho de 2007

MOONLIGHT DRIVE, THE DOORS

PASSEIO AO LUAR
Vamos nadar para a lua
Vamos escalar a maré
Penetrar na noite que
A cidade dorme para esconder
Vamos nadar essa noite, amor
É nossa vez de tentar
Estacionados ao lado do oceano
Em nosso passeio ao luar
Vamos nadar para a lua
Vamos escalar a maré
Nos render aos mundos que nos esperam
E lambem nosso corpo
Nada restou aberto
E não há tempo de optar
Paramos dentro de um rio
Em nosso passeio ao luar
Vamos nadar para a lua
Vamos escalar a maré
Você estendeu a mão para me segurar
Mas não posso ser seu guia
É fácil te amar
Quando te vejo deslizar
Caindo em florestas úmidas
Em nosso passeio ao luar
Vamos, baby, vamos dar uma volta
Descendo, descendo para perto do oceano
Chegar bem perto
Chegar bem próximo
Baby, essa noite vamos nos afogar
Descendo, descendo, descendo
OBS: Simplesmente Fantástico !!! Vida Longa ao Jim.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

A Vontade de Saber, por Therence Santiago

Foto: Fogo - Fernando Bicho

“Um rápido crepúsculo se teria seguido à luz meridiana, até as noites monótonas da burguesia vitoriana. A sexualidade é, então cuidadosamente encerrada. Muda-se para dentro da casa. A família conjugal a confisca. E absorve-a, inteiramente, na seriedade da função de reproduzir. Em torno do sexo, se cala. O casal, legitimo e procriador, dita a lei. Impõe-se como modelo, faz reinar a norma, detém a verdade, guarda o direito de falar, reservando-se o principio do segredo. No espaço social, como no coração de cada moradia, um único lugar de sexualidade reconhecida, mas utilitário e fecundo: o quarto dos pais. Ao que sobra só resta encobrir-se; o decoro das atitudes esconde os corpos, a decência das palavras limpa os discursos. E se o estéril insiste, e se mostra demasiadamente, vira anormal: recebera este status e devera pagar sanções”. (Trecho do Livro de Michel Foucault, História da Sexualidade 1, 1998, p.10).
Dialética da Liberdade

Procuro à indecência / A forma mais pervertida do sentir / Um gesto obsceno do pensamento / Um livre e delicado tormento / Quero um verso que rasgue o manual de regras / Quero uma cor que seja o contraste / Tudo de novo se contrapondo ao normal / Poesia desvairada / mistura de doce e sal / Um soro curador / Um antídoto para a anestesia / Uma possibilidade de dor / Quero um misto confluente de aceitação, negação e transformação / Uma dialética do prazer / Sexo, vinho, orgasmo e contemplação / Uma imagem formada no espelho da sedução / Silhueta do corpo mais próximo / Arrepio dos pelos tingidos / nem que seja por um instante fingido / Quero a sensação de movimento / Quero um demorado beijo / Ofertado e não censurado / Quero sentir o fio da navalha / o toque dos lábios.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Em Homenagem a Arte de Rua, por Therence Santiago

Foto: Daniel Carreira - Violões

..Arte verdadeira / Ligeira sensação que invade / espaço criado, re-criado, inovado / Figura fugaz de delírios constantes / objeto cubista errante / Em linhas tortas da insensibilidade / Um mar de sentidos desfilam inspiração / Pequena fração de algo realmente comovente / Bem ditos os olhos que podem contemplar a emoção / Bem ditos os ouvidos que realmente exercitam a audição / Loucos poetas de rua / Trazem os sons do Mundo / Pedaço de sonho agudo / em cordas exalam as cores do sentir / Pequenos pontos isolados sinestésicos / Perpetuem a eternidade / Libertem a melodia / alimentem a fantasia / dêem forma a verdadeira Arte......

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Sabedoria de Vida, por Therence Santiago



...Estive esses últimos dias em Paraty, especificamente acompanhando a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), lá tive experiências fantásticas e intrigantes. Para o meu espanto concomitante com a FLIP oficial, rola um evento chamado OFF-FLIP, uma espécie de Festa Literária Marginal (a classe não tão ‘sofisticada da literatura’, no entanto, não tão menos talentosa quanto os participantes da Flip oficial, pelo contrário).Na FLIP oficial, pude perceber o que já estou cansado de ver no meio acadêmico, desfiles descomedidos de egos os quais são refletidos nas titulações ou nas publicações (muitas delas conseqüências das titulações rsrs). Claro que não posso generalizar, toda regra tem sua exceção.Na OFF-FLIP no entanto, pude saborear realmente momentos artísticos, assisti a uma apresentação de um pessoal que conheci em Bento chamado Simplesmente Poesia (fantástico), pude apreciar diversos artistas de rua que me possibilitaram ter contato com sua arte, pude conhecer poetas de rua (a maioria deles longe das ‘enormes tendas’ montadas pela organização da Flip oficial, tentando vender seus livros através do boca a boca), pude ter contato com apresentações indígenas, ter contato com artistas plásticos excelentes, em fim, a cidade Paraty me possibilitou respirar arte.Assisti algumas mesas do evento oficial, e a que mais me chamou atenção foi justamente uma a qual os participantes eram Amós Oz e Nadine Gordimer, ele um dos grandes Literatos da atualidade, ela simplesmente prêmio Nobel de Literatura. Com certeza as pessoas mais famosas do evento (vários prêmios internacionais, respeito acadêmico, etc.), entretanto o que mais me chamou atenção em relação a esses dois ‘velhinhos’ rsrs foi á simplicidade e a maneira de falar sobre literatura que ambos deixaram exalar durante a mesa, simplesmente fascinante, a sensação que senti (e creio que foi a da maioria que teve a felicidade de ouvi-los e vê-los) relacionou-se a um momento de felicidade e realmente de contemplação, eles de maneira serena deixaram transparecer tanta sabedoria e principalmente magia, que aqueles rápidos instantes que presenciei um diálogo tão maravilhoso, valeram por todos os dias que fiquei em Paraty. Minha admiração e fascinação foi tanta, que depois da mesa, eles foram dar autógrafos a fãs diversos, eu fiquei só de longe os admirando e aguardando a minha vez na fila...

terça-feira, 3 de julho de 2007

Sinfonia em Dó maior, por Therence Santiago

........O som transpõe a forma / Sinfonia sublime do inevitável/ Fragmento de pensamento / Partitura dos sonhos mais fantásticos / Uma sensação que contagia / Os olhos se enchem de lagrimas / Sexo, amor, poesia / Beijo molhado ofertado / Como um mágico misterioso / Pego a delicada flor e a seguro entre os lábios / Toca a musica de Afrodite / A musica de Afrodite toca / Uma rara imagem sobreposta / Um corpo nu totalmente amostra / Sinto em meu pescoço o som apressado do amor mais calmo / Um lindo e perfeito banquete de miscelâneas sensitivas / Um rápido momento eterno de experiências auditivas / uma possibilidade de tato sonoro / Música que toca o toque mais próximo.......
...Continuo cada vez mais sentindo tanto que não caibo em mim...

sábado, 30 de junho de 2007

Entre o Prometéico e o Dionisíaco, por Therence Santiago

Foto: Valsa da Solidão

......Existe uma vaga idéia que transita nas possibilidades do pensar (pelo menos do meu rs), é algo simples, maravilhoso e compacto, uma espécie de sensação prolongada, uma sensação de chocolate com morango. O mundo e suas dinâmicas essencialmente rápidas, muitas vezes não nos deixam opção, forçam os olhos a olharem quase sempre para a mesma direção, forçam os lábios a tocarem a mesma taça e quase sempre sentirem o mesmo sabor. A pressa imediata que me aflige na realidade se posta mais em um querer dês-acelerar o meu tempo, se posta em uma busca simples pela simplicidade possível, por um demorado beijo delicado. Seria uma espécie de quebra cabeça ao contrario, um espelho de tripla face, três imagens do meu eu, algo segundo Maffesoli, Dionisíaco, ritualístico, altamente simbólico e ao mesmo tempo subversivo. Nada convencional, nada normal, pelo contrario, a idéia vaga que transita nas possibilidades se forma em um não querer ser, nada estático, mas sim, algo em movimento, um sereno estado de estar, sem preconceitos, trejeitos, ou qualquer vontade de definir, apenas calmamente sentir e sentir......

segunda-feira, 25 de junho de 2007

A Imagem de Pandora no Espelho de Dionísio, por Therence Santiago

Não adianta, algumas decisões são eternas, bom pelo menos enquanto duram rsrs, algumas cores definitivamente nasceram para dar sentido a outras, ou talvez não dar sentido algum. Pandora, e sua imensa curiosidade despertaram todas as reais possibilidades de liberdade, ela trouxe para nós reles mortais as metáforas, as duvidas, os medos, as negações, as lagrimas, as risadas, entre outras sensações.
Uma vez aberta à caixa, tudo se revela, potência, intensidade, irreverência, ‘anormalidade’, (é realmente acho que Foucault viu a caixa e teve a ousadia de abrila e abrila novamente e novamente e novamente).
Hoje a simples idéia de reflexão se apresenta como um ato subversivo, tudo bem, tanto Pandora, quanto Eva tinham Dionísio flertando e se insinuando de maneira sutilmente vulgar para elas rsrs. Não resistiram, olharam para o espelho e perceberam que era bem mais interessante segundo Jim Morison, irromper para o outro lado. Isso em mentes mais cautelosas representou o momento inicial da criação dos valores, (mais o que seria do preto se todo mundo gostasse somente do azul), outras pessoas, no entanto acharam o máximo, muito excitante a ousadia de Pandora sim, vamos abrir a caixa, vamos experimentar o sabor daquela maçã, vamos respirar pelo menos uma vez o ar puro, sentir o sabor da poesia liquida, tocar com os lábios os pelos arrepiados, ouvir o respirar acelerado, sentir a vida mais intensa.
Quem sabe dessa forma talvez, nem que seja apenas por um pequeno instante, nos aproximemos de Deus, ou Zeus, ou sei lá quem seja........


quinta-feira, 21 de junho de 2007

Em Homenagem a um show maravilhoso (Gotan Project), por Therence Santiago


....Singelo verso que explode em minha imagem / Traz uma idéia sutil de subversão / um momento passageiro de atenção / postado abismado no estalo do beijo /
Doce pedaço de poesia comestível / saliva impura que delicia o toque do olhar/ Um lindo e simétrico corpo feminino aspirando sabor / sensação vadia que transpõem a melodia provocante / verso inconstante / paranóia saturada de Dionísio / Deus abençoe o vinho / Diabo abençoe a rima / in-versão insatisfeita do rápido lampejo / linha tênue do delicado gracejo / pegada delirante do poeta enlouquecido / sede, fogo, gozo, abismo / espaço preenchido de sangue pulsante / espelho néon azul cintilante / fragmento de percepções trabalhadas / gota de suor largada, arremessada e confeccionada / espasmo muscular, amor, tango, música eletrônica, simplesmente Gotan........

segunda-feira, 18 de junho de 2007

O Abismo da Imaginação, por Therence Santiago

Foto: Uma Terra Imaginária

.....Percebo um longo e atraente hiato entre a razão e a loucura, uma espécie de lacuna. Nesse espaço imenso de possibilidades, gosto de imaginar que ali entreatos, transitam idéias livres, pedaços de sonhos com sabores de bolo de chocolate, de café com chantili, de arrepios constantes. Nesse abismo da percepção desconfio rsrs que devam existir toques delicados e ao mesmo tempo persuasivos, beijos provocados, e beijos tímidos, olhos desencontrados e pensamentos pervertidos. Talvez tal idéia não passe de uma filosofia barata, tudo bem, não ligo para isso, aprendi o percurso in-verso que a intelectualidade pode me ensinar, e confesso que estou até gostando desse lugar meio marginal que me encontro. Dizem que devemos achar o melhor em tudo, então, tento isso, achar na normalidade sem cor e sem sabor dos pensamentos a ações acostumadas, paisagens provocativas de quimeras escondidas. Se realmente não encontro, invento, pois, de filosofo e louco todo mundo tem um pouco rsrs....

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Caminho do Paradoxo a Percorrer, por Therence Santiago

......Penso na confecção da sensação perfeita, e sempre esbarro em margens estreitas, pedaços contínuos de interpretações equivocadas, são como sonhos guardados, esquecidos, largados no canto mais afastado e escuro da gaveta. Busco um sabor perfeito, um líquido extremamente saboroso, uma espécie de vinho raro e caro que dentro da enorme taça exale um aroma abstrato.
Busco a visão de um lindo quadro, busco a emoção de uma bela e intensa poesia. Na verdade busco dentro do equilíbrio do meu ser um desequilíbrio tênue com sabor de avelã, cor de morango, escultura pulsante que tenha uma simetria errante em forma de um objeto cubista sintético, frenético e reluzente, algo perecido como um eterno instante de imagens e sons hipnotizantes, algo que metamorficamente permaneça, um tipo de simplicidade complexa, que mostre os caminhos tortos a serem percorridos....

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Rio 40 Graus, por Therence Santiago

Podem falar o que o for do Rio, não me importo, eu adoro aquela Cidade, segue um poema em homenagem a minha estadia esse feriado na Cidade maravilhosa,

Na cidade sangue quente mutante (Fernanda Abreu)
Os corpos deslizam para lá e para cá,
Sinfonia miscelânica de desejos,
Bocas, batons e muito beijo.
A sensualidade ao som de tiros e raiva,
O sol escaldante regado a lágrimas,
Paisagens absurdamente maravilhosas,
Um Cristo de braços abertos que nos acolhe,
Bares de Samba na Lapa que nos fazem cantar
Um mar maravilhoso que nos acalma
A alma mais feliz de ali estar,
Ferve,
Pulsante como o sangue quente na veia a latejar
Batida cardíaca,
Acelerada, vadia.
Cidade dos contrastes,
amor, ódio, sinestesia,
vaidade.
Um Maracanã exorbitante de sentidos,
Versos, estrofes, rimas e
Pensamentos perdidos.
Rio intenso e expansivo,
Local de Putas, Loucos, Poetas e
Bandidos.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Arquitextura do 3 ato, por Therence Santiago


Pego um pedaço de sonho,
Escrevo o cheiro em um pedaço de pano,
Sinto o sabor no som do gemido,
Vejo o lábio tremulo no espelho do teto

Sempre em linhas tortas
Confecciono as receitas do doce
Sempre em momentos rápidos
A eternidade se manifesta
Sempre o orgasmo profano
Mostra o verso puro

Dou um beijo no desejo
No desejo dou um beijo
No respirar acelerado
Acelero o movimento
Sinto a poesia liquida

No hiato da linha limite
Entre a razão e a loucura
Bebo o último primeiro gole
Que me traz o amargo na doçura

sábado, 2 de junho de 2007

Percepção em Três Notas, por Therence Santiago

Existe uma antiga idéia que hoje em dia é pouco trabalhada, algo parecido com um saboroso gosto que nossa memória sempre resgata, e que quase sempre não conseguimos lembrar exatamente o que é. Existem sons que nos trazem lembranças de sensações, cores que nos lembram de lugares, cheiros que nos lembram de pele. Tudo funciona creio eu, como uma espécie de corrente, elos sinestésicos que quando percebidos, trabalham em perfeita sinergia. No entanto, as camadas anestésicas da vida contemporânea estão todas sempre postas à mesa, criam falsas idéias atreladas ao sentir, criam falsos sentidos para as coisas. Nesses processos de construções de razões funcionais, os delírios muitas vezes são sufocados, são trocados por pensamentos pré-fabricados, prontos, rasos. Mas, a idéia ainda existe em algumas ações reflexivas, a Persistência da Memória, ainda que em pequenas escalas, resiste, insiste, permite-se. Isso aparece com toda certeza como uma possibilidade de libertação, de transformação.
Deixo esse pequeno surto lembrando uma idéia de Fernando Pessoa na qual ele diz o seguinte;

“Não pondero, sonho.
Não me sinto inspirado,
Deliro”.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

A Vida No Cinema!!, por Therence Santiago

Ontem assisti Matrix, sempre me renovo quando vejo esse filme, em minha opinião é o melhor filme de todos os tempos. Pelo menos para mim rs. Neo em sua busca existencial nos traz conflitantes reflexões. Paro sempre para pensar na condição humana. Enquanto historiador não consigo escapar de tentar entender o presente a partir do passado, sendo assim, em meus resgates reflexivos fico buscando explicações. É verdade que sempre me aborreço com as conclusões. Fazer o que né? Voltando ao filme, todos ali lutam pela liberdade, até as maquinas querem livrar-se da opressão dos humanos rs. Penso em nós nesse momento, será que estamos buscando a liberdade? Será que sabemos que estamos presos? Será que ainda conseguimos desejar a liberdade? Sinceramente ainda acredito que sim, no fundo, bem no fundo, ainda tenho a esperança que algumas pessoas desejam a liberdade, não no sentido comum, mais uma liberdade existencial, uma liberdade conceitual, uma liberdade da alma.. Como Neo sempre temos uma escolha, sendo assim, que cada um faça a sua...........Segue um poema sobre a liberdade..


O Estado de Ser ou não Ser

O que vemos no espelho?
Uma imagem em formação,
Um pensamento disforme.
Algo vagamente parecido com uma quimera,
Vemos um pedaço de algodão que sobrevive ao vendaval,
Bolo de chocolate com uma pitadinha de sal..
Um desejo na fila de espera.
O grande desafio da imagem
Apresenta-se embalado em um ritmo
O qual se mostra e se esconde,
Aceita, nega e contradiz,
Dialética desvairada,
Esta buscando outra entrada
Nesses mundos plurais
De poucas opções,
O verso desesperado
tenta entender a idéia sublime de não ser....

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Provocação!!! por, Therence Santiago

Estou passando por uma intrigante fase na vida. Estou entre a liberdade artística e a anestesia da área acadêmica. Confesso que cada vez mais estou inclinando para a primeira. Uma das coisas que ultimamente me vem á mente é justamente o fato de poder experimentar as possibilidades. Sim! Possibilidades, até quando e quanto nos permitimos sentir? Percebo muitas vezes (e olha que ultimamente ando prestando muita atenção nas coisas rs), que as pessoas conscientemente (inconscientemente) estão literalmente assumindo papeis sociais, representações totalmente pré-fabricadas. É obvio que devemos ter a noção que determinadas situações exigem posturas diferentes. Mas, o problema que vejo, é que tal fobia social (será que posso assim chamar?) ganha tamanha força que passa a ter vida própria ou imprópria rs. Sendo assim, permito-me provocar um pouco, e para isso utilizo esse meu singelo espaço reflexivo. A idéia desse texto é justamente ‘brincar com as sensações’, brincar com os pudores, permitir um pouco o choque rs, a excitação, nem que seja para a negação. Creio que os sentidos estão todos ai, basta apenas exercitarmos os movimentos certos para sempre atualiza-los. No fundo, bem no fundo, mesmo que recusando publicamente, todo mundo gosta da mesma coisa rsrs.

sábado, 26 de maio de 2007

Entre o Grito e o Silêncio, por Therence Santiago


Estou passando por um grande dilema existencial e conceitual. Sinto como se estivesse em uma tênue linha imaginária, me equilibrando para não cair. Quando tomei a pílula vermelha, não achava que seria tão difícil lhe dar com a realidade. Percebo que muitas vezes queria apenas poder perceber, não dizer nada, não achar nada, apenas sentir. No entanto, os ares acadêmicos me deixaram em certos momentos condicionado. Luto agora contra uma sublime idéia de erudição. Ainda faço parte dos planos, mais até quando agüentarei, ah! Isso sinceramente não sei.....

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Sinto tanto, que não caibo em mim !!!!!


Monte Castelo
Legião Urbana
Composição: Renato Russo (recortes do Apóstolo Paulo e de Camões).

Ainda que eu falasse a língua dos homens / E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria /É só o amor, é só o amor.Que conhece o que é verdade /O amor é bom, não quer o mal. Não sente inveja ou se envaidece / O amor é o fogo que arde sem se ver.É ferida que dói e não se sente.É um contentamento descontente. É dor que desatina sem doer. / Ainda que eu falasse a língua dos homens. E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria / É um não querer mais que bem querer / É solitário andar por entre a gente / É um não contentar-se de contente É cuidar que se ganha em se perder /É um estar-se preso por vontade. É servir a quem vence, o vencedor; É um ter com quem nos mata a lealdade/ Tão contrário a si é o mesmo amor / Estou acordado e todos dormem todos dormem todos dormem / Agora vejo em parte / mas então veremos face a face /É só o amor, é só o amor.Que conhece o que é verdade /Ainda que eu falasse a língua dos homens.E falasse a língua do anjos, sem amor eu nada seria.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

In-Verso Escondido, por Therence Santiago

Um sentimento arrebatador expansivamente se forma / Um misto estonteante de raiva e amor / Um sexo agressivo regado á muito carinho / Explode no espelho os pedaços de sonhos transparentes / Lentes e mais lentes / A sinestesia se enche de vinho tinto / solta um sutil grito / E arranha o cristal liquido / É o orgasmo profano que está se mostrando puro / Inseguro / Pedaço de desejo á mesa / Cheio de segredos e fantasias / Uma continuação das rupturas / Sem tédio e sem frescura / Apenas a libido e nada mais.....

terça-feira, 22 de maio de 2007

Suave Paranóia, por Therence Santiago


Paranóia / Á noite todos / Somos iguais / Sentimos o fogo / Queimar e Queimar / Luzes e faróis / Corpos se movimentando, ora sorrindo, ora flertando, ora odiando / Movimentos repetidos de Caim, / Paranóia desvairada / Sangue pulsante sem fim / Lindos e lentos versos / me apego no primeiro pedaço de carne que vejo / e sutilmente dou um beijo na boca sem sabor / e na última dose sinto o ultimo gole / que na noite de Babel, me consome......sem gosto e sem amor......

segunda-feira, 21 de maio de 2007

O Mito da Caverna Hi-tech, por Therence Santiago



O Mito ainda Resiste!!!
Estranho nossos tempos, a história que se forma está meio que atemporal. Sempre gostei de história, tanto que hoje sou um historiador, na realidade isso não tem tanta importância, o que importa realmente são os fenômenos sócio – culturais que acontecem hoje. Lembro-me de algumas coisas que os mais velhos diziam quando eu era criança e como aquelas palavras me causavam medo rs. Os valores a serem inseridos estavam repletos de paradigmas conservadores e reacionários. Claro que no fundo não faziam por mal (pelo menos eu acho que não rsrsr), mais que estavam tentando moldar meu caráter, ah, isso sim, com certeza. O mais importante é que tomei a pílula vermelha rápido (embora isso hoje me traga diversos problemas), no entanto, enquanto professor que sou (e isso também não quer dizer muita coisa rs) tento contribuir com a garotada no sentido de semear pensamentos expansivos, reflexivos, atrelados a liberdade.
É certo que muitas vezes não consigo (acho que a maioria rs), mais tento mesmo assim. Percebo em suas falas e ações que muitas vezes inconscientemente reproduzem o que ‘conscientemente’ repudiam, sei lá, acho que acaba rolando uma espécie de Mito da Caverna Contemporâneo. Pergunto-me então, o que será que está acontecendo na realidade? Hoje temos informação em quantidades nunca antes produzida e re-produzida. Sendo assim, qual será o tempo ideal de entendimento a ser aprendido? Bom, ainda não sei, só sei que, enquanto isso, deixo no ar uma imagem a se pensar!!

domingo, 20 de maio de 2007

Artesanal, por Therence Santiago


As mãos trabalham para dar forma, buscam uma estética sem padrão, sem indução, apenas deixam estar, e estando, as sensações se dão mais livres e intensas. O grande desafio na vida, ou pelo menos na minha, é justamente encontrar um equilíbrio, ou um desequilbrio dentro do que expansivamente sinto. Uma espécie de ponto do meio, meio amargo, meio doce. Chocolate com café. Pronto, isso!!! Uma estética artesanal do paladar (ou do pensar?)!!!

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Jogada de Mestre !!!


DIABO: ( Beijando e lançando três dados ) : Seis....seis....seis!....
DEUS ( Incrédulo ) : Maldito!...Ganhaste outra vez!....
DIABO : E agora, o que me dás em pagamento?...
DEUS : ( ? )....
DIABO : ( ? ) .....
DEUS : Toma, leva este planeta azul ....

[Micro-Conto que faz parte do livro Folhas ao Vento, por Edwaine Loureiro da Silva]

terça-feira, 15 de maio de 2007

Nossa Africa !!!, por Therence Santiago





Nesse espaço de pensamentos soltos, me permito ousar, permito-me errar, pois, sei que quero acertar. Engraçado nossos tempos sufocantes, tudo de ruim parece estar refletindo agora. Especificamente nossa terra, (o lindo e receptivo Brasil), está cada vez mais complicada, digo isso, partindo do raciocínio ligado aos próprios brasileiros. País plural, em todos os sentidos, todas as nacionalidades convivem aqui, até nosso ilustríssimo Papa (o qual, diga-se de passagem, continua sendo Pop) ficou impressionado com a nossa miscigenação. Mal ele sabe que na realidade é só casca, o que tem por dentro, seguindo uma idéia sublime de Mano Brown é o conteúdo de 500 anos de exclusão, sim, exclusão!! Não adianta fingirmos que não, Puta queu Pariu, é quase que gritante esse quadro. Essas duas fotos remetem-se a lugares geograficamente distantes, mais culturalmente e socialmente próximos, estamos á pleno vapor globalizante e a nossa África não poderia deixar de dês-acompanhar o processo de aceleração e o tempo da maquina da ganância chamada HUMANO.
Therence Santigo

domingo, 13 de maio de 2007

Grito, por J.Camelo Ponte



Aguçam-se os olhares,
e a ave desvendada
abre suas asas
e pasma......
No ímpeto do grito,
palpita a ansiedade,
ferindo o silêncio forjado.
Mostram-lhe, cinicamente,
em gestos de ironia,
a falsa liberdade,
que, a espreita e espera
atrás das áureas grades.

sábado, 12 de maio de 2007

Aspiração, por Carlos Drummond de Andrade













Foto A. Brito

Tão imperfeitas, nossas maneiras de amar.
Quando alcançaremos o limite, o ápice de perfeição, que é nunca mais morrer, nunca mais viver duas vidas em uma, e só o amor governe todo além, todo fora de nós, mesmos?

O absoluto amor, revel à condição de carne e alma.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Música da Morte tocada pelos Violões que Choram











......A música da morte, a nebulosa,


estranha, imensa música sombria,


passa a tremer pela minh'alma e fria


gela, fica a tremer, maravilhosa....



Quando os sons dos violões vão soluçando,


quando os sons dos violões nas cordas gemem,


e vão dilacerando e deliciando,


rasgando as almas que nas sombras tremem.



Harmonias que pungem, que laceram,


dedos nervosos e ágeis que percorrem


cordas e um mundo de dolências geram,


gemidos, prantos, que no espaço morrem.....


(Cruz e Souza)

Foto Manuel Passos


" O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente".
(Mario Quintana)

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Foucault, ou você ama, ou você odeia?

terça-feira, 8 de maio de 2007

O Espelho de Si, por Therence Santiago




Pense em olhar para dentro da imagem,
Para dentro do reflexo de si,
Como uma linda paisagem,
Que ainda sente vontade de rir

Pense nos desejos,
Pequenas brechas fundantes,
Tocar os beijos,
Descomedidos e abundantes

Pense no verso,
Pense no verso,
Reflexo,
Reflexo.......





[Foto : Lany Costa]

Inocência Perdida, por Therence Santiago

Foto : Rafael Andrade


A TV, os jornais, as revistas, enfim, os veículos de comunicação, nos trazem sensações estranhas. Ora choramos, ora damos risadas, ora estamos loucos, ora normais. Os livros aparecem hoje para muitas pessoas como apenas uma espécie de enfeite de estantes. Os sonhos, ah! Os sonhos esses então estão logo ali, perto do ponto onde não se vê mais nada. Me pergunto, por que?
Uns dizem que estamos passando por períodos de crises. Puta queu pariu, aja crise nesses nossos tempos!!
A vaidade Acadêmica se esconde em seus próprios egos descomedidos, é até engraçado, diversas idéias, presas em bibliotecas, onde apenas poucas pessoas são contempladas com o conhecimento. Ai me pergunto, conhecimento de que?
Não sei, mas ando meio cansado das caretices de ambos os lados. Um lado se apresenta alienado, outro ‘extremamente critico’. A alienação é a justificativa para o não sentir. A erudição para o não ‘adianta agir’. Mais que merda. Tempos estranhos esses os nossos, miscelânea confluente de paradoxos atemporais. Soa bonito né?
No fundo tal idéia reflete as mesmices anestesiadas da contemporaneidade. Devemos ampliar nossos horizontes sinestésicos, isso sim, rasgar os moldes pré-fabricados, quebrar a porra dos espelhos montados, desfigurar as imagens construídas e comedidas. Algo parecido como um ataque temperamental de Rimbaud, sim, rasgar a poesia barata, os métodos altamente pensados, os discursos prontos que nada querem dizer, e somente a partir daí, tentar entender e buscar um pouco mais de liberdade. Um pouco mais de novidade.

sábado, 5 de maio de 2007


O que virá depois do Pós – Moderno?

Onde estão os sonhos de outrora, onde estão os pedaços de sorrisos inocentes? Na mente fragmentos da recente memória, lapsos de desejos desconhecidos, desejos sufocados por constantes amigos / inimigos que seduzem sem maiores cerimônias.
A dinâmica da vida contemporânea apresenta-se como um vírus mirabolante, as justificativas se escondem em desculpas praticas de ideologias dúbias. Os olhos enxergam suplícios paradoxais de mãos nuas, sem calor nem amor, encontram apenas indiferenças, as quais se transformam em uma crença onde todos se perdem tentando se encontrar.
Nesse espelho atemporal gigantesco, os olhos que trilham seus olhares em horizontes reestritos, nunca foram abertos. E assim, o ciclo se mantêm, e a reprodução começa a re – funcionar, pois, não é de hoje, que o cheiro da merda se faz presente na falta de visão.
Hoje vocês não estão aqui para se divertir, para rir, ou superficialmente chorar. Hoje vocês estão aqui para sentir sensações de desespero, de ódio, de raiva, de incomodo.
Quero de certa forma causar o incomodo, perceber até que ponto nossas acostumadas mentes podem suportar o anormal, a face mais crua e despida de humanismo das pessoas, a realidade mais real desse mundo pós – moderno em que vivemos.
Nietzsche estava certo, o conceito de que o ser humano é mal por natureza e que a vida baseia-se na procura incessante pela diminuição do mal, está cada vez mais evidente. Resultado dos padrões culturais cultivados.
Hoje como bem disse Foucault, estamos vivendo a morte dos homens.
O que é ser tradicional?
O que é ser moderno?
O que é ser humanista?
O que é ser humano?
Humano?
Humano?